domingo, 17 de setembro de 2017

Review: Hansen & Friends – Thank You Wacken Live



Por Pedro Humangous

É, parece que o pessoal do Helloween e Gamma Ray está em festa realmente. Já não bastasse a “reunion” dos caras em shows pelo mundo esse ano, o mestre Kai Hansen resolve juntar uns amigos e fazer sua festinha particular também. Após o ótimo “XXX Three Decades In Metal”, um registro disso ao vivo – e claro, no Wacken – não poderia ficar de fora! Hansen então chamou Eike Freese (Dark Age), Alex Dietz (Heaven Shall Burn), Frank Beck (Gamma Ray), Michael Ehre (Gamma Ray), Corvin Bahn (Crystal Breed), Clementine Delauney (Visions Of Atlantis) e Michael Kiske (Helloween, Unisonic) para essa grande apresentação em um dos maiores festivais da música pesada mundial. O show foi gravado em 2016 e traz um set list relativamente curto, contendo músicas do seu álbum solo, com alguns clássicos do Helloween como “Ride The Sky” (que, aliás, ficou maravilhosa aqui nessa versão ao vivo), “I Want Out”, “Future World” e “Save Us”. Uma pena ele não ter incluído nada da fase do Unisonic ou Gamma Ray – teria sido um set mais variado e surpreendente. Quando Mickael Kiske é chamado ao palco, a galera simplesmente vai à loucura e canta com todo o ar dos pulmões junto com a banda, momento incrível! Esse lançamento vem em embalagem comum contendo um CD e um DVD com essa apresentação, tudo com extrema qualidade de som e principalmente de vídeo. Entendemos que os shows no Wacken costumam ser mais curtos e é complicada a transição entre uma banda e outra, mas podiam ter caprichado mais na produção do palco. O que sentimos nitidamente é um clima de confraternização, de realização e felicidade de todos os envolvidos, tanto dos músicos quanto da plateia. O som está muito bem equalizado, gostei muito da sensação fiel de “ao vivo” que conseguiram captar, aquela bateria mais seca batendo no peito, a distribuição das guitarras nas caixas de som, o baixo bem presente e os vocais praticamente naturais (não notei overdubs). As dobradinhas entre as guitarras e os teclados ficaram animais, deixando a guitarra base preenchendo o som por completo. Gostei bastante da arte da capa, se tivessem diversificado mais o set list e talvez tivessem escolhido outro local para a gravação do DVD, de repente com uma produção de palco mais trabalhada, tudo ficaria ainda mais incrível. Independentemente disso, estamos diante de um registro histórico, uma celebração em grande estilo ao Metal Melódico, definitivamente imperdível e obrigatório!


CD / DVD:
1. Born Free
2. Ride The Sky
3. Contract Song
4. Victim Of Fate
5. Enemies Of Fun
6. Fire And Ice
7. Burning Bridges
8. Follow The Sun
9. I Want Out
10. Future World
11. All Or Nothing
12. Save Us

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terça-feira, 12 de setembro de 2017

Descobertas (infernais) da semana!


Seguindo a ideia do Spotify, onde a plataforma te apresenta uma playlist especial para cada usuário, criamos uma lista com bandas menos conhecidas e que merecem sua atenção! Tem de tudo um pouco, para todos os gostos! Temos a certeza de que você vai curtir pelo menos uma das 10 apresentadas abaixo!

Falando em Spotify, aproveitem para nos seguir por lá: https://open.spotify.com/user/helldivinemetal


Ocean Groove – The Rhapsody Tapes


Below - Across The Dark River


Wage War – Stitch


Righteous Vendetta – Cursed


Black Sites - In Monochrome


Progenie Terrestre Pura – oltreLuna



Lunar Shadow - Far from Light


Witherfall - Nocturnes and Requiems


Sikth - The Future In Whose Eyes


Archspire - Relentless Mutation



domingo, 10 de setembro de 2017

Review: Blind Guardian - Live Beyond The Spheres


Por Pedro Humangous

Oh yeah! Novo lançamento do Blind Guardian! E é ao vivo! E triplo! Os caras são arrojados, em uma era de streaming (o download de mp3 já era), a banda e a gravadora soltam um belíssimo digipack triplo de dar inveja, mesmo quem não está habituado a comprar mídia física se sentirá tentado a ter essa belezinha na coleção – e convenhamos, vale muito a pena! Fiquei feliz de ver que mudaram também o direcionamento artístico, fugindo daquelas capas manjadas e sem sal para algo mais orgânico e diferente, lembrou muito um print screen de uma partida de Diablo II ou algum cenário de Dungeons & Dragons. “Live Beyond The Spheres” é o terceiro álbum ao vivo da banda e foi gravado em 2015 durante a turnê feita na Europa, sendo lançado somente agora em 2017. Anteriormente tivemos o clássico “Tokyo Tales”, de 1993, mais cru, mais orgânico, demonstrando todo o poder de fogo dos alemães em sua fase inicial da carreira. Em 2003, em minha opinião, em sua melhor fase, lançaram o incrível “Live”, contendo as melhores composições dos bardos até aquele momento, além de uma performance avassaladora. E o que esse novo trabalho nos traz? Uma gravação impecável, quase que uma sonoridade de estúdio sendo apresentada nos shows que fizeram pelo velho mundo. Está tudo perfeitamente encaixado (às vezes chega a ser irritante de tão limpo) e executado de forma brilhante, sem falhas – e sem surpresas. Hansi parece contido, cantando em um tom abaixo do que o de costume (pelo menos em relação ao estúdio), o que gera certo desconforto ao longo da audição do material, parece que ele está sem energia para cantar – obviamente ele entrega aqui um excelente trabalho, principalmente quando abusa dos drives. Por ser um disco triplo, temos um vasto material, cobrindo grande parte da discografia da banda, com maior ênfase em seu álbum mais recente, “Beyond The Red Mirror”. Corajosos, logo abrem com “The Ninth Wave” com mais de 10 minutos de duração, perfeita para criar o clima épico que viria a seguir, “Banish From Sanctuary” e “Nightfall”! O tempo todo eles fizeram esse mix das mais antigas com as mais novas, levando os fãs à loucura entre o passado e o presente – ótima estratégia! A sequência de “Tanelorn” e “The Last Candle” são de tirar o fôlego, eles aceleram um pouco o passo e a empolgação vai a mil, principalmente com o lindo timbre das guitarras gêmeas. “And Then There Was Silence” fecha magistralmente o primeiro disco, com mais de 15 minutos de duração. Um verdadeiro passeio por vários discos do Guardião Cego! O disco 2 talvez seja o mais legal dos três, com um track list matador! Não seria justo apontar destaques, mas gostei bastante de “The Lord Of The Rings”, “Bright Eyes”, “Into The Storm” e “A Past And Future Secret”. O disco 3 abre com “Sacred Words” do álbum “At The Edge Of Time”, emendando no clássico absoluto “The Bard’s Song (In The Forest)” – nunca me cansarei de ouvir essa bela canção! E logo depois, nada mais, nada menos do que “Valhalla” e o, já tradicional, incansável coro do público! E pra fechar, “Majesty” e então “Mirror Mirror”. Precisa de algo mais? Um lindo registro, brilhante e variado, perfeito para quem já era fã e para quem pretende começar a ouvi-los agora. “Live Beyond The Spheres” é o resumo e a soma de tudo de melhor que existe na invejável carreira do Blind Guardian!

Será que vem um DVD/Blu Ray disso? Esperamos que sim!


CD 1:
1. The Ninth Wave
2. Banish From Sanctuary
3. Nightfall
4. Prophecies
5. Tanelorn
6. The Last Candle
7. And Then There Was Silence

CD 2:
1. The Lord Of The Rings
2. Fly
3. Bright Eyes
4. Lost In The Twilight Hall
5. Imaginations From The Other Side
6. Into The Storm
7. Twilight Of The Gods
8. A Past And Future Secret
9. And The Story Ends

CD 3:
1. Sacred Worlds
2. The Bards Song (In The Forest)
3. Valhalla
4. Wheel Of Time
5. Majesty
6. Mirror Mirror

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sexta-feira, 8 de setembro de 2017

Review: Municipal Waste – Slime And Punishment



Por Pedro Humangous

Que discografia invejável meus amigos! A banda americana de Thrash/Crossover foi formada em 2001 e de lá pra cá só vem atacando nossos ouvidos com pedradas certeiras, deixando seus fãs atordoados! Comecei a acompanha-los em 2005, quando assinaram com a Earache Records e lançaram o insano “Hazardous Mutation”. “Slime And Punishment” chega em 2017 como o sexto álbum em sua carreira, trazendo a urgência e o desespero que o estilo deliberadamente entrega, composições velozes, ríspidas, agressivas, nenhuma com mais de três minutos de duração, ou seja, é direto ao ponto! Sem tempo para respirar, a banda nos brinda com quatorze faixas em apenas vinte e oito minutos, despejando riff atrás de riff, uma bateria acelerada, um baixo bem “na cara” e um vocal ensandecido, completando o belo pacote. As influências são mais que óbvias, beberam da fonte de bandas como Anthrax, Exodus, Nuclear Assault, Violator e afins, misturando aquele ar Punk oitentista com o Thrash da Bay Area, abusando sem piedade do Speed. Para a arte da capa, acionaram mais uma vez o talentoso Andrei Bouzikov, que já fez capas anteriores para o próprio Muncipal Waste, além de bandas como Nervosa, Cannabis Corpse, Skeletonwitch, Dust Bolt, etc. O que mais gostei nessas composições foram as pitadas de NWOBHM que incluíram, usando as famosas guitarras gêmeas em “Enjoy The Night” e “Under The Waste Command”, por exemplo. Os solos também merecem destaque, estão todos de tirar o fôlego, com um timbre animal das guitarras. Aliás, que qualidade de produção fantástica, polido e sujo na medida certa, soando moderno, mas sem perder as características do old school.  “Slime And Punishment” não irá mudar a história do Metal, talvez não figure nas listas de melhores do ano, mas certamente é mais um belíssimo álbum na discografia do Municipal Waste e um dos mais intensos e legais discos do estilo, diversão garantida em alto padrão! 



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domingo, 3 de setembro de 2017

Review: Suffocation - ...Of The Dark Light


Por Pedro Humangous

Os mestres do Metal da Morte estão de volta, trazendo na bagagem uma roupagem ainda mais técnica, riffs mais cortantes, bateria mais veloz, um baixo super presente. Após o excelente “Pinnacle Of Bedlam”, de 2013, os americanos do Suffocation retornam com mais um álbum de peso, marcante em sua brilhante discografia e com certeza um dos destaques de 2017. Logo de cara a linda arte que ilustra a capa (feita pelo renomado Colin Marks da Rain Song Design) já surpreende bastante, traz um ar mais moderno e renovado, contrastando bem com o Death Metal tradicional que a banda apresenta, sem grandes firulas, mas abusando das tecnologias atuais para registrar suas horripilantes composições. As músicas são todas extremas e bastantes técnicas, com mudanças drásticas de ritmos, alternância de tempos, vocais cavernosos, mas mesmo assim são todas de fácil assimilação e viciantes! Os riffs parecem aranhas subindo e descendo nos trastes das guitarras, jogando teias melódicas entre uma escala e outra. O novato Eric Morotti simplesmente espanca seu kit de bateria e nos deixa de queixo caído com tamanha perícia e desenvoltura ao executar suas partes, certamente as linhas de bateria são o grande destaque desse disco – sempre variadas, agressivas e com um timbre animal! As guitarras definitivamente são os fios condutores do Suffocation e dão um show à parte, demonstrando bom gosto e inteligência ao criar passagens inesperadas e marcantes ao longo de todo o álbum. Todas as músicas são individualmente incríveis, impossível pular uma sequer, mas vale destacar as absurdas “Clarity Through Deprivation”, que abre o disco, e “Some Things Should Be Left Alone”, com todos os músicos simplesmente detonando tudo, lembrando um mix de Nile com The Black Dahlia Murder. Resumindo essa obra, diria que estamos diante de um clássico do Death Metal mundial e um dos melhores da carreira do Suffocation, imperdível para qualquer amante do estilo!


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segunda-feira, 7 de agosto de 2017

Igorrr: Uma banda que merece ser ouvida!


Uma das bandas mais bizarras, divertidas, estranhas e talentosas do mundo! Se você ainda não conhece esse grupo francês, pode correr atrás de toda a discografia! É uma audição desafiadora!
Seu mais recente trabalho, "Savage Sinusoid", já está na minha lista de melhores do ano!
Confiram abaixo o making of do disco, dividido em 3 partes:



domingo, 30 de julho de 2017

Review: Havok – Conformicide


Por Pedro Humangous

Engraçado... um dia desses estávamos falando exatamente sobre bandas que praticam Thrash Metal hoje em dia e da dificuldade que elas tem de se reinventar – resenha da banda Warbringer publicada aqui no blog. Chega então ao mercado brasileiro o mais novo trabalho da banda americana Havok, “Conformicide”, o quinto disco na carreira. E não é que os caras deram um “up” no seu som? Parece que colocaram tudo o que existe de melhor no estilo, colocaram em um caldeirão e deixaram o caldo engrossar! Aqui você irá ouvir um pouco de Exodus, Megadeth, Testament, Revocation, Annihilator, além de inserções de Groove Metal, umas pitadas de Prog, enfim, modernidades e inovações inesperadas para o estilo. Muita gente acha que “Time is Up”, de 2011, é o melhor deles, mas após ouvir o novo álbum fica difícil decidir, acredito que este seja o “masterpiece” da banda! As letras estão mais ácidas, mais diretas ao ponto e não poupam quando o assunto é alfinetar e enfiar a faca na ferida. As letras falam sobre a realidade do mundo atual, política, guerras e religião. A arte da capa é simples, porém, tem muito a dizer, mostrando claramente que é necessário que as pessoas abram suas mentes, se livrem de pensamentos pré-determinados, que fujam do controle imposto pelos governantes e pela mídia. Ainda falando da arte, o encarte está simplesmente incrível, repleto de desenhos insanos que acompanham as letras. Com a entrada do baixista Nick Schendzielos (que também toca no Cephalic Carnage e Job For A Cowboy), as músicas ganharam mais dinâmica, ficou com mais groove, mais técnica e mais divertido de ouvir. A mixagem deu um espaço extra e deixou as linhas do baixo bastante audível, fazendo toda a diferença nas composições e consequentemente no resultado final. Os vocais de David Sanchez também merecem destaque, estão raivosos, ensandecidos, rasgados na medida certa, misturando aquele Thrash com um toque de Black Metal – lembrando um pouco do Skeletonwitch. Gostei muito da criatividade do baterista Pete Webber e dos solos do guitarrista Reece Scruggs, ambos trouxeram bastante dinamismo às composições. O disco todo está incrível, com uma produção animal, destaque para as faixas “Hang ‘Em High”, “Intention To Deceive” e “Peace Is In Pieces”. Um álbum bem acima da média, altamente recomendado para os amantes do estilo em busca de novidades sem abrir mão da essência!


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Review: Tankard – One Foot In The Grave


Por Pedro Humangous

É isso mesmo, podem acreditar, a banda alemã Tankard está fazendo trinta e cinco anos de carreira e “One Foot In The Grave” é o décimo sétimo álbum na invejável discografia desses beberrões! Convenhamos, quem toca com paixão, exaltando o Thrash Metal e a cerveja, já merece nossos aplausos e admiração eterna! Como o próprio nome do disco já diz, estão com um pé na cova, parece que a banda está prestes a jogar a toalha – impossível pensar isso quando se ouve as novas músicas, repletas de energia, velozes e com fôlego de sobra – como conhecemos o bom humor dos caras, sabemos que trata-se apenas uma piada, trocadilho, blefe. A arte das capas deles nunca foi o ponto forte (mas, tem gente que gosta né...) e essa não foge à regra, bem tosquinha e pode até afastar alguns jovens apreciadores do Metal que por ventura ainda não conhecem esse tanque de guerra. Falando das músicas, esse é um dos discos mais agressivos, pesados e técnicos do Tankard, os riffs estão insanos, as músicas estão divertidas, os refrões estão ainda mais grudentos. A bateria usa da inteligência para misturar os momentos mais “metralhadora”, muitas viradas, abuso nos pratos e principalmente do bumbo duplo! Gostei muito das linhas vocais do Gerre, soam agressivos, porem saem com facilidade e leveza, um contraponto interessante. Estou boquiaberto com o estupendo trabalho de guitarras do Andi, seus riffs estão incrivelmente viciantes, os solos de arrancar a cabeça do pescoço – “One Foot In The Grave”, “Syrian Nightmare” e “Northern Crown” não me deixam mentir. Esse lindo lançamento ainda nos traz mais surpresas, o novo álbum é acompanhado de um disco bônus contendo doze faixas gravadas ao vivo no Rock Hard Festival 2016, trazendo um apanhado geral de sua brilhante carreira! Um registro histórico e imperdível, vale a pena ter na coleção! Vida longa aos mestres cervejeiros do Metal! 


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domingo, 16 de julho de 2017

Review: Dragonforce – Reaching Into Infinity


Por Pedro Humangous

O Dragonforce vem com uma dura tarefa nas costas, superar o grande momento que foi o auge com “Through The Fire And Flames”. Após a enorme repercussão mundial a banda ficou pressionada a sempre compor algo mais técnico, mais veloz e mais empolgante. O fato é que após a saída do seu vocalista ZP Threat, a banda se sentiu um pouco sem rumo, tentando se reencontrar. Demoraram a decolar novamente, foi esquentando com “The Power Within” e ganhou mais força em “Maximum Overload” (lançamento que na época marcou a saída do baterista Dave Mackintosh para a entrada de Gee Anzalone). “Reaching Into Infinity” traz mais uma vez a arte do brasileiro Caio Caldas ilustrando a capa, dando um toque de modernidade e aquele clima high tech que se apropriaram desde “Ultra Beatdown”. O novo trabalho está realmente mais empolgante e muito bem trabalhado, abusando de todos os ingredientes que os fizeram famosos, bateria ultra veloz, riffs absurdamente incríveis, teclados e mais teclados, refrãos pegajosos e de fácil assimilação. A fórmula se repete ano após ano, mas ainda funciona muito bem. Achei que a banda aqui está mais à vontade, mais entrosada, as músicas fluem com naturalidade e são todas muito boas, você ouve o disco completo sem aquela vontade de pular uma faixa ou outra. Os pontos fracos ficam por conta das letras, bobinhas e sem inspiração, trazendo mais do mesmo, além dos refrãos parecerem iguais a outras músicas deles mesmos, aquela sensação constante de déjà vu. O ponto forte fica para o peso extra que colocaram nas músicas, estão mais agressivas, flertando com o Prog e o Thrash – ouçam uma passagem em “Judgment Day” (quase Dream Theater) e a pancadaria em “War!”, gratas surpresas e inovações inesperadas. Destaques para “Ashes Of The Dawn” que me lembrou da fase inicial da banda e “Land Of Shattered Dreams” por sua velocidade e duelos de tirar o fôlego entre guitarras e teclados. Um ponto que vale mencionar é que a maioria das músicas foi composta pelo baixista Frédéric Leclercq, talvez por isso tenhamos sentido essa evolução no som da banda nos últimos anos. Nessa edição brasileira, temos um lançamento em digipack, lindíssimo, contendo duas faixas bônus e um DVD extra com três faixas gravadas ao vivo na Polônia no Woodstock Festival em 2016. Eles estão conseguindo se manter atrativos após tantos anos de estrada e com tanta concorrência pela atenção do ouvinte. Estão no rumo certo, me fazem querer ouvir mais e mais. Resumindo esse novo álbum, eu diria que é o trabalho mais homogêneo e maduro do Dragonforce, trazendo tudo aquilo que os fãs mais gostam e elementos novos que ninguém esperava!


Review: Heaven Shall Burn – Wanderer


Por Pedro Humangous

Quando bati o olho nessa capa, jamais imaginava que se tratava de um novo disco do Heaven Shall Burn, totalmente diferente do padrão que vinham apresentando em sua discografia. Fiquei intrigado, será que mudaram também o direcionamento de seu som? Após tantos anos juntos e sem mudanças na formação, é difícil esperar algo muito diferente do seu tradicional Melodic Death Metal (vi alguns loucos chamando a banda de Metalcore e Deathcore, mas esses dois estilos não fazem o menor sentido quando se fala do som do HSB). Uma coisa que sempre me incomodou nos álbuns deles foi a produção, o timbre das guitarras é sempre muito estridente, como se tivesse “treble demais”, fica aquele som artificial, atmosférico e espacial, tornando-se cansativo da metade pro fim. E aqui, infelizmente, nada mudou. “The Loss Of Fury” serve como uma “intro de luxo”, soturna e arrastada, alimenta-se de elementos do Black Metal, fator que podiam ter aproveitado melhor ao longo do disco. “Bring The War Home” vem na sequência com uma bateria forte, com um ar eletrônico, acompanhada de um baixo encorpado, descambando em um vocal poderoso e angustiado, embalado por guitarras secas e melódicas – gostei muito dessa composição, mas a mixagem deixou tudo meio estranho e desconfortável. Dá pra notar logo de cara que o Heaven Shall Burn ficou mais obscuro e mais moderno, as músicas estão mais carregadas e sinistras, mas ainda assim com sintetizadores e batidas de bateria mais modernosas e as criações da dupla de guitarras estão ainda mais acessíveis e melódicas (principalmente quando chegamos nos refrãos). O que mais gosto nesses caras é a ferocidade com que apresentam suas músicas, principalmente nos vocais, dando aquela sensação de urgência e ódio, tão apreciados pelos headbangers – essas músicas devem soar animais ao vivo! “They Shall Not Pass” volta a misturar o som eletrônico da bateria com muita melodia nas guitarras, soando como um filho entre o Arch Enemy e o Rammstein. “Downshifter” faz o nível subir e traz lembranças dos bons tempos de “Colony” do In Flames. “Prey To God” é extremamente agressiva graças à participação especial de George Fischer (vocalista do Cannibal Corpse) que deu mais diversidade e vida à música. O álbum segue na mesma linha, sem mexer muito no time que está ganhando, mas é nítida a perda de fôlego da metade pro fim, mesmo assim garantem a vitória e os três pontos. Destaque para o cover inusitado de “The Cry Of Mankind” do My Dying Bride, mostrando a diversidade do Heaven Shall Burn e suas influências. Poderiam, daqui pra frente, abusar mais dessas sonoridades (Black, Doom) e incorporar às suas composições, saindo um pouco da zona de conforto e, quem sabe, conquistar novos ouvintes. Um bom lançamento, entregando aquilo que os fãs esperam, sem variar muito daquilo que vem fazendo nos últimos anos. Pra quem curte e segue a banda, vale bastante a audição e aquisição!


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domingo, 4 de junho de 2017

Review: Dimmu Borgir – Forces Of The Northern Night


Por Pedro Humangous

Um dos mais esperados registros ao vivo de todos os tempos finalmente está disponível, de forma oficial, original e física! “Forces Of The Northern Night” circulou pela internet há alguns anos registrando a banda norueguesa Dimmu Borgir em uma apresentação magistral (aparentemente para um canal de TV), contendo um coral e orquestra completos, o que deu um clima soturno e uma dinâmica incrível ao show. Desde o álbum “In Sorte Diaboli” que o Dimmu vem investindo cada vez mais em uma sonoridade mais cinematográfica, mais orquestrada e cada vez menos Black Metal, apesar dele estar sempre presente. “Abrahadabra”, de 2010, foi o ápice dessa evolução, dessa transformação que a banda fez. Muita gente (e eu me incluo nesse grupo) passou a gostar mais da banda nessa nova fase, os fãs mais antigos não gostaram tanto do novo direcionamento. Mas o fato é que a banda continua ativa, experimentando sempre, inovando e se mantendo com grande exposição e renome mundial – na minha opinião, uma jogada inteligente, arriscada e certeira. Nesse lançamento, temos dois discos, sendo o primeiro quase que exclusivamente dedicado ao seu álbum mais recente – com exceção de “Eradication Instincts Defined” do “Death Cult Armageddon”, que ganhou uma brilhante versão orquestrada. As músicas, que já impressionavam no estúdio, agora, acompanhadas de 53 instrumentistas e 30 vocais de coral, ganham uma dimensão inimaginável, com uma produção impecável e surreal, tornando a apresentação bombástica e lendária. O som aqui está cristalino, super bem produzido, focando nos mínimos detalhes dessas marcantes composições. É claro que todas as músicas são fantásticas, mas fica impossível não elogiar e destacar as faixas em que somente a orquestra e o coral chamam os holofotes e tomam conta do show, são elas “Xibir” (que lindamente abre o disco 1) e “Dimmu Borgir” (uma versão sensacional de tirar o fôlego – eu gostaria de ter tocado isso na entrada do meu casamento). Já no segundo disco temos vários clássicos que percorrem boa parte de sua discografia, com destaques absolutos para “Progenies Of The Great Apocalypse” e a arrepiante “The Serpentine Offering” – uma das minhas favoritas, mas confesso que o ICS Vortex fez falta aqui, sua parte foi substituída pelo coral. “Forces Of The Northern Night” é uma experiência sonora e visual incrível (aguardem, pois o DVD contendo essa apresentação também será lançado em breve no Brasil!), traz o melhor do Dimmu Borgir, uma banda em seu auge, podendo mesclar sua fase mais antiga e tradicional com esses novos elementos que fazem com que a banda se torne única! Um trabalho altamente aguardado, impecável e obrigatório! Garanta o seu, somente 500 cópias foram feitas!


CD1
1. Xibir (Orchestra)
2. Born Treacherous
3. Gateways
4. Dimmu Borgir (Orchestra)
5. Dimmu Borgir
6. Chess With The Abyss
7. Ritualist
8. A Jewel Traced Through Coal
9. Eradication Instincts Defined (Orchestra)

CD2
1. Vredesbyrd
2. Progenies Of The Great Apocalypse
3. The Serpentine Offering
4. Fear And Wonder(Orchestra)
5. Kings Of The Carnival Creation
6. Puritania
7. Mourning Palace
8. Perfection Or Vanity (Orchestra)


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Review: Warbringer - Woe To The Vanquished


Por Pedro Humangous

Bom, precisamos começar falando dessas bandas de Thrash Metal moderno – ou da atualidade, como preferirem. As bandas que criaram o estilo, e são os grandes medalhões, ainda estão por aí, na ativa e lançando discos. Surgiu então a onda das “revival bands”, que tentaram emular a sonoridade dos anos 80, criando novos álbuns baseados em bandas que fizeram sucesso nessa década – e convenhamos, funcionou muito bem. Não preciso citar nomes, vocês conhecem todos na ponta da língua. Como se não bastasse, surgiu então a onda das bandas que fazem Thrash mais moderno, mais atual, abusando da tecnologia à nossa disposição para criarem discos incríveis, impactantes e nervosos, mas ainda assim mordendo no calcanhar de seus ídolos, criadores do estilo. Então fica a pergunta no ar: o Thrash Metal está estagnado? Está fadado a se autocopiar para sempre em um loop infinito? Quais bandas atuais vêm à sua mente quando falamos de Thrash hoje em dia? Havok, Evile, Angelus Apatrida, Municipal Waste, Toxic Holocaust, Vektor, etc. Obviamente cada uma tem seu tempero, mas todas soam quase que iguais, sempre calcadas em outras como Exodus, Kreator, Sodom, Destruction, Testament, entre outras. E isso é ruim? Não necessariamente, mas quis deixar esse texto introdutório como reflexão.


“Woe To The Vanquished” é o quinto álbum dos americanos do Warbringer, trazendo uma temática interessante (porém clichê – Guerra Mundial) e uma maravilhosa arte para capa, feita pelo renomadíssimo Andreas Marshall. Talvez por terem nascido em terras norte americanas, suas maiores influências estejam na Bay Area, sentimos o cheiro de Exodus (principalmente na estrutura dos vocais) e Testament (vários momentos do instrumental) por toda a parte. Mesmo assim, consigo notar grandes similaridades com o Destruction e Kreator, mostrando que a escola alemã também teve sua força na formação desses jovens. Interessante como conseguiram imprimir um ritmo variado ao disco, fazendo transições imperceptíveis entre a velocidade extrema e momentos mais cadenciados, sem perder impacto (“Spectal Asylum” é um belo exemplo disso). A primeira parte do álbum é mais porrada, mais rápida e direta, reservando a técnica e riffs mais intricados para a segunda parte, temos inclusive a última faixa com mais de 11 minutos (isso mesmo, uma faixa de Thrash com mais de 11 minutos de duração!), uma jogada ousada e desafiadora, mas que funcionou muito bem. “When The Guns Fell Silent” traz de tudo um pouco, introdução lenta com narrações, passagens de baixo isolado, riffs com guitarras gêmeas, solos, dedilhados de guitarra, enfim, uma música bastante variada e surpreendente. E isso responde muita coisa que mencionei acima, sobre inovar e trazer novos sabores ao surrado Thrash Metal – pontos extras ao Warbringer. “Divinity Of Flesh” é uma das minhas favoritas, abusando das guitarras dobradas, seu riff inicial é matador e viciante, flertando abertamente com o Melodic Death Metal, técnica apurada (que me lembrou um pouco de Trivium com Revocation), tudo isso fez com que esse fosse o ponto alto do disco, uma das melhores da banda até o momento. “Woe To The Vanquished” sai da zona de conforto, experimenta um pouco mais e ganha meu respeito exatamente por essa ousadia, pela necessidade de mostrar algo novo, mesmo que não seja nada espetacularmente fora da curva, mas trouxe de volta minha vontade de ouvir o bom e velho Thrash Metal. Olhos e ouvidos abertos ao que o Warbringer ainda pode nos trazer no futuro. 


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domingo, 21 de maio de 2017

Review: Ex Deo – The Immortal Wars


Por Pedro Humangous

Não vou negar, eu gosto desses projetos paralelos, formação de supergrupos. Em sua maioria, são criados novos e grandiosos trabalhos que vão além da sonoridade usual das bandas, digamos, tradicionais. “The Immortal Wars” é o terceiro lançamento do projeto paralelo dos membros da banda Kataklysm, capitaneado por Maurizio Iacono (vocalista). A temática escolhida dessa vez foi a história de Hannibal, um jovem destemido, conhecido por desafiar a supremacia romana utilizando-se de gigantes elefantes africanos. O Death Metal sinfônico ganhou aqui ainda mais potência e está ainda mais pomposo, cinematográfico e grandioso! Tudo soa mais épico, agressivo e super melódico. O veneno foi concentrado em apenas oito faixas (sendo “Suavetaurilia” uma vinheta) não chegando a quarenta minutos de música. Pra mim, isso foi um ponto positivo, pois torna o álbum mais conciso, mais impactante e menos cansativo. “The Rise Of Hannibal” já mostra rapidamente o cartão de visitas, com um riff atmosférico e um andamento mais lento, a faixa soa como um exército antigo marchando para a batalha. As partes orquestrais dão um clima fantástico, com destaque para as trombetas e camadas de teclados que preenchem todos os espaços possíveis e dão mais dinâmica às composições. Maurizio dá um show à parte, uma performance inspirada em todas as músicas, seja com suas narrações no meio das músicas (feito um grito de guerra ou discurso de um líder para seu povo), seja com seus incríveis vocais guturais rasgados tão característicos. “Hispania (Siege Of Saguntum)” se utiliza de mais velocidade e riffs beirando o Black Metal, mais no estilão do atual Dimmu Borgir, e de passagens lindas de teclado que lembram construções do Borknagar. “Crossing The Alps” também possui linhas de guitarras muito interessantes e extremamente viciantes, vocais variados e um solo fantástico, tornando-se uma das minhas favoritas. “Cato Major: Carthago Delenda Est!” vem na sequência com bastante impacto e poder de fogo, lembrando um pouco o som do Septicflesh, assumindo um lado mais sombrio sem deixar de lado a beleza das orquestrações, sempre muito bem encaixadas. As três últimas seguem a mesma fórmula, cada uma com sua essência, mas todas bombásticas, exacerbando suas grandiosidades. O encarte é maravilhoso, repleto de figuras que exemplificam o que as letras retratam, além da belíssima arte da capa, feita pelo experiente Eliran Kantor (trabalhou com bandas como Kreator, Testament, Soulfly, etc). “The Immortal Wars” se mostra um álbum muito bem trabalhado, surpreendente e muito superior a muita coisa que é lançada atualmente – quase superando sua banda principal, o Kataklysm. Um dos destaques do ano quando o assunto é música extrema e de qualidade, não deixe de ouvir!


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Review: Wael Daou – Sand Crusader


Por Pedro Humangous

Os tempos de revista digital Hell Divine me trouxeram grandes presentes ao longo dos cinco anos em que mantivemos a publicação ativa. Uma delas foi ter conhecido o trabalho do Wael Daou. Não me esqueço do dia em que uma pessoa entrou em contato comigo através da página da revista no Facebook perguntando se podia enviar um CD de um amigo seu, que morava em Belém do Pará. Achei aquilo incrível e como nunca negamos material de ninguém, fiquei na expectativa aguardando chegar o tal álbum, sem sequer saber do que se tratava. Para a minha surpresa, me deparei com o, até então, desconhecido “Ancient Conquerors”. Um trabalho com seis músicas, todas voltadas para as guitarras e para o instrumental, já demonstrando um músico diferenciado, com boas ideias e um bom gosto enorme quando se tratava de música, tanto na parte estética/visual, quanto o cuidado com a qualidade sonora. Alguns anos se passaram e mantive um contato próximo com o Wael, acompanhando de perto todas as fases de composição do novo material, dando dicas, acompanhando as demos em primeira mão, a seleção dos músicos, a escolha das artes, enfim, estive imerso em “Sand Crusader” desde seu embrião. E me dá um orgulho enorme ter esse disco em mãos, um digipack triplo maravilhoso, luxuoso, feito com o maior carinho e dedicação do mundo. No primeiro CD temos sete músicas novas – iremos falar delas a seguir – no segundo CD temos novas e melhoradas versões das músicas lançadas no “Ancient Conquerors” e o terceiro disco é um DVD contendo as versões animadas de todas as faixas além de três playthroughs animalescos! Todas das músicas ganharam uma arte exclusiva; todo o material gráfico foi feito pelo renomado Gustavo Sazes, que deu um brilho a mais nesse lançamento. Pra quem ainda não conhece o Wael Daou, estamos falando de um guitarrista experiente, ultra técnico, com um senso de melodia apurado, navega com facilidade pela música extrema, pelo prog, abusando de fortes características da música Libanesa (sua descendência). As oito cordas usadas por ele dão o peso necessário às composições, trazendo bastante agressividade, sem deixar de lado as lindas partes mais leves e trabalhadas. Sim, seu foco principal são obviamente as guitarras, dando bastante destaque ao instrumental, mas não se engane achando que é só isso, “Sand Crusader” traz várias faixas com vocais extremos, como são os casos de “Scourge Of Humanity” e “Thorns Of Joy”, além de vocais limpos em “Sand Crusader”. A estrutura das músicas me remeteu a várias coisas bem interessantes como The Haarp Machine, The Faceless, Jeff Loomis, Dream Theater. A grande sacada do Wael foi misturar diversos momentos e essências dentro de suas composições, dando mais dinâmica e empolgação a cada nova audição. São tantos elementos, tantas notas, camadas de teclado, que são necessárias várias audições para assimilar a proposta. Mesmo assim, trata-se de um álbum de fácil digestão, é extremamente viciante e convidativo. Como explicar, por exemplo, o clima tenso criado pelos sintetizadores e trompetes na faixa “The Awakening I”? Uma energia sombria lembrando momentos de Dimmu Borgir, Septicflesh e Behemoth, com uns solos inspiradíssimos lembrando a linha de compor de John Petrucci – coisa de outro mundo! Wael Daou é nível internacional, é fora do comum, é algo que todos precisam ouvir. Definitivamente é esse tipo de maturidade que quero ver crescer no cenário da música pesada no Brasil, é o tipo de som que buscava e finalmente tenho em mãos. Certamente um dos maiores destaques do ano, top 5 fácil!


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