quinta-feira, 22 de setembro de 2016

Hora da Leitura! Hellraiser


Vamos falar de coisa boa? Não, não estou falando de TekPix. Coisa boa é unir as mais diversas artes: cinema, leitura e música. Lembro como se fosse ontem, a equipe da Darkside Books me ligando no celular dizendo que admiravam o trabalho da Hell Divine. Foi muito importante saber que meu trabalho estava sendo reconhecido, principalmente por outra empresa/projeto que admiro tanto! E o fruto dessa parceria está em minhas mãos, dois livros incríveis do autor Clive Barker, nada mais, nada menos, do que HELLRAISER! Nasci no começo da década de 80, portanto, tenho uma vaga lembrança desse filme macabro quando passava na televisão de tubo. O tempo passou e acabei esquecendo essa pérola, nunca mais voltei a ver a sequência dos filmes lançados – ponto positivo, pois ler os livros sem ter que ficar associando aos filmes é muito melhor. 


Clive Barker, escritor inglês, é um gênio na arte do terror, ele ambienta o inferno como ninguém. O primeiro livro, “Renascido do Inferno”, com uma linda capa que parece couro de verdade, é curto, porém ultra intenso! A continuação, com “Evangelho de Sangue”, acaba de ser lançada e dá um fim a essa incrível saga. Para não estragar a surpresa – ou dar spoilers – irei apenas colocar trechos liberados pela própria editora para o leitor ter uma ideia do que esperar:

Escrito em 1986, HELLRAISER - RENASCIDO DO INFERNO apresentou ao público os demoníacos Cenobitas, personagens criados por Clive Barker que hoje figuram no seleto grupo de vilões ícones da cultura pop como Jason, Leatherface ou Darth Vader. Toda a perversidade desses torturadores eternos está presente em detalhes que estimulam a imaginação dos leitores e superam, de longe, o horror do cinema. Clive Barker escreveu o romance HELLRAISER - RENASCIDO DO INFERNO (The Hellbound Heart, no original) já com a intenção de adaptá-lo ao cinema. O cultuado filme de 1987 seria sua estreia na direção, e ele usou o livro para mostrar todo seu talento como contador de histórias a possíveis financiadores. Nas palavras do próprio Barker: “A única maneira foi escrever o romance com a intenção específica de filmá-lo. Foi a primeira e única vez que fiz assim, e deu resultado”.


EVANGELHO DE SANGUE oferece uma junção clara dentro do universo de Barker. Os leitores mais atentos já perceberam que as histórias dele se passam em um mesmo universo, mas, agora, o mundo de Hellraiser é explicitamente unido ao do detetive Harry D’Amour – que aparece em outras histórias do autor, como o conto “The Last Illusion”, presente no sexto volume dos Livros de Sangue, e no romance Everville. D’Amour, que se dedica a investigar casos sobrenaturais, mágicos e malignos, vem encarando seus demônios pessoais há anos. Quando ele se depara com uma Caixa das Lamentações – neste livro, Barker expande a mitologia da Caixa de Lemarchand, e conta que ela é só uma das muitas Caixa das Lamentações que existem por aí –, seus demônios internos são substituídos por demônios de verdade, conforme ele se vê enredado em um terrível jogo de gato e rato, absolutamente complexo, sangrento e perturbador.


E o que o Hellraiser tem a ver com o Heavy Metal? Muita coisa! Além do ocultismo e do terror, típicos de várias bandas do estilo, temos aqui vestimentas negras e de couro – lembrando bandas de Black Metal e Gothic. O próprio Clive dirigiu o clipe de “Hellraiser” do Motorhead, além do ator do filme que interpreta o Pinhead, Doug Bradley, ter participado em diversas músicas do Craddle Of Filth. No filme “Hellraiser 3 – Inferno na Terra”, a banda Armored Saint faz uma participação, interpretando ela mesma.


A Darkside Books é minha biblioteca do terror. Sem sombra de dúvidas, a melhor e mais competente editora em atividades no Brasil. É levantar, aplaudir e torcer para que mais lançamentos como estes continuem a encher nossas prateleiras.

domingo, 4 de setembro de 2016

Review: Gamma Ray – Sigh No More

(Gravadora: Ear Music / Shinigami Records)

Por Pedro Humangous

Estou gostando muito dessa série de relançamentos do Gamma Ray em comemoração aos 25 anos de carreira. Essa é minha terceira resenha dessa edição de aniversário e reviver os clássicos da banda tem sido um grande prazer! Momento de relembrar algumas coisas e descobrir outras. Lançado em 91, “Sigh No More” é o segundo álbum de estúdio da banda, trazendo a forte formação composta por Ralph Scheepers nos vocais, Kai Hansen e Dirk Schlachter nas guitarras, Uwe Wessel no baixo e Uli Kusch na bateria. Levando em consideração o som que o Helloween fazia na época, esse disco causou certa estranheza por parte do público e principalmente da crítica especializada. Convenhamos, esse álbum é bastante incomum, com uma sonoridade única e diferente do Melodic Power Metal esperado – “(We Won’t Stop) The War” não me deixa mentir. “Changes” abre o disco de forma madura, lembrando o Prog praticado pelo Queensryche da época. “Rich And Famous”, por sua vez, traz letras divertidas e um som mais próximo do típico Gamma Ray, riffs velozes e melodias marcantes. Ralph é um monstro nos vocais, ele tem a capacidade de transformar qualquer música em um hino. Diferentemente do Sansão, ele não perdeu seus poderes depois que perdeu suas encaracoladas madeixas. A semiacústica “Father And Son” também traz novos e inesperados elementos, com um refrão meio esquisito. “One With The World” volta a descer a porrada contando com solos incríveis. Minhas favoritas aqui são “Start Running” e “The Spirit”, ambas têm mais a cara do que o Gamma Ray se tornou, a sonoridade que ganhou fama mundial. A horrenda capa que ilustrava o lançamento original ganhou uma nova e bela roupagem – méritos para Hervé Monjeaud, que trabalhou em diversos projetos do Iron Maiden. Esse relançamento conta com um disco bônus, contendo diversas músicas ao vivo, versões nunca lançadas e demos, tudo muito legal! Pra quem curte conhecer a história das bandas e mergulhar a fundo em suas essências, essa série de aniversário está sendo perfeita e fantástica!

Track List:

CD1:
1. Changes 
2. Rich & Famous 
3. As Time Goes By 
4. (We Won't) Stop the War 
5. Father and Son 
6. One With the World 
7. Start Running 
8. Countdown 
9. Dream Healer 
10. The Spirit 
11. Sail On (Live) 
12. Changes (Live) 

CD2: 
1. One With the World (Live at Wacken 2011) 
2. Dream Healer (Live in Montreal 2006) 
3. Changes (Blast from the Past version) 
4. Rich and Famous (Blast from the Past version) 
5. One With the World (Blast from the Past version) 
6. Dream Healer (Blast from the Past version) 
7. Heroes (Preproduction) 
8. Dream Healer (Preproduction) 
9. As Times Goes By (Preproduction) 
10. (We Won’t) Stop the War (Preproduction) 
11. Dream Healer (Demo) 
12. Rich and Famous (Demo)

Contatos: 

Review: Rage – The Devil Strikes Again

(Gravadora: Nuclear Blast / Shinigami Records)


Por Pedro Humangous

O Rage já passou por tanta coisa… Diversas mudanças de formação, de direcionamento, e após inúmeros lançamentos na carreira (passam de 20) eles retornam com “The Devil Strikes Again”. Apesar do nítido sucesso e reconhecimento mundial, nunca foram considerados uma “grande banda”, daquelas que estão na ponta da língua do headbanger sabe? Obviamente a entrada de Victor Smolsky deu uma boa mudada na sonoridade do grupo alemão, trazendo elementos de música clássica e ainda mais peso às composições. Porém, após anos de parceria, o guitarrista deu adeus ao Rage (e formou o excelente projeto chamado Almanac). Para seu lugar, o eterno líder Peavy Wagner, chamou Marcos Rodriguez – o cara é um bom guitarrista, mas nesse trabalho podemos ver que ele é apenas mediano se comparado ao seu antecessor. As mudanças na formação trouxeram nítidas transformações no som, está tudo mais simples e direto, flertando com o Power Metal de bandas como Stratovarius e Grave Digger. As duas primeiras faixas são matadoras, ultra pesadas, com refrãos grudentos e viciantes. Acontece que na terceira música, “Back On Track” – ironicamente – eles perdem o rumo das coisas e apresentam uma música bobinha e chata, um refrão meio pop punk totalmente dispensável. Na sequência emendam com “The Final Curtain”, um Hard’N’Heavy muito bom, mas ainda causa certa estranheza, pois diverge muito do início do álbum – e provavelmente do que esperamos do Rage. A galopante “War” traz de volta o peso e velocidade ao disco, sendo seguida pela ótima “Ocean Full Of Tears”, igualmente empolgante. O restante do trabalho permanece coeso, com ótimas composições, seguindo a mesma fórmula durante todo o álbum – de certa forma funciona e diverte o ouvinte sem grandes surpresas. O pacote ainda traz um disco extra contendo seis faixas, sendo três delas covers das bandas Y&T, Rush e Skid Row. O título do álbum e a arte da capa são demasiadamente clichês, porém o quesito inovação prende o ouvinte e agrada por suas sinceras e viscerais composições. Resumindo a obra, “The Devil Strikes Again” é um disco difícil de decidir se gostamos ou não. Ele tem pontos fortes e outros nem tanto. Traz um Rage renovado, com sangue novo e uma nítida vontade de fazer aquilo que o coração manda. 


Track List: 

CD 1: 
1. The Devil Strikes Again
2. My Way
3. Back on Track
4. The Final Curtain
5. War
6. Ocean Full of Tears
7. Deaf, Dumb and Blind
8. Spirits of the Night
9. Times of Darkness
10. The Dark Side of the Sun

CD 2: 
1. Bring Me Down
2. Requiem
3. Into the Fire
4. Slave to the Grind (Skid Row cover)
5. Bravado (Rush cover)

Contatos: 
www.rage-official.com | facebook.com/RageOfficialBand

sexta-feira, 2 de setembro de 2016

A CAVEIRA E O MANGÁ


Nascidos das sombras Algo milenar se ergueu nas sombras do teatro japonês, caminhou por entre feudos e plantações de arroz e ganhou espaço no rolos de tecidos e papéis. Histórias sequenciadas ganharam voz e, como em um balé perfeito entre imagens e palavras, algo grandioso começou a ganhar vida. Os primeiros filhotes dessa união ganharam o mundo na década de 20 e reconhecimento próximo à década de 40, mas o silêncio se instaurou – a Guerra Fria estancou seu crescimento. Deste momento em diante, a criança seguiu seu destino. Naquele sombrio e estranho momento de guerra, entre ruínas e poeira, os desenhos continuaram a florescer, ganharam olhos grandes e expressivos para se comunicarem com o mundo de uma forma única. O traço marcante de Osamu Tezuka ajudou a dar um estilo nunca antes visto. Crescemos entre godzillas, tokusatsus e animes, entre guerras atômicas e avanços tecnológico diários – e o mangá cresceu, amadureceu e ganhou o coração dos jovens que erguem e transformam o novo mundo. Entre personagens mágicos e assustadores, nos tornamos adultos repletos de sonhos. 

Nasce aqui o novo selo da primeira editora do Brasil inteiramente dedicada ao terror e à fantasia. TOKYO TERROR® é a linha editorial da DarkSide® Books que promete tocar o terror no mundo do mangá e trazer o que há de mais tenebroso na literatura do sol nascente. E este é só o começo - afinal de contas, dentro de nós é sempre meia-noite.

Em breve mais novidades dos nossos parceiros da editora Darkside Books!

domingo, 28 de agosto de 2016

Review: Gamma Ray – Heading For The East



Por Pedro Humangous

Seria bom se toda banda que a gente gosta e admira fizesse 25 anos de carreira. E melhor ainda se fizessem como o Gamma Ray, relançando sua discografia com novas artes para as capas e músicas extras, material inédito que acompanha os clássicos remasterizados. Você já viu aqui na Hell Divine, e já deve ter visto por aí, os demais discos que a banda recolocou no mercado mundial e agora nacional, através da ótima e frutífera parceria entre a Shinigami e a Ear Music. “Heading For The East” é o primeiro registro ao vivo do Gamma Ray, lançado após o excelente “Heading For Tomorrow”, no início da década de 90. O grupo estava em ascensão, em plena forma, apresentando o melhor que o Metal Melódico podia oferecer na época. Ralph Scheepers estava cantando demais, dava pra sentir sua empolgação contagiando o público. Gravado no Japão, o disco duplo traz doze fantásticas músicas, incluindo sucessos da antiga banda do guitarrista e fundador Kai Hansen – não precisava dizer que era o Helloween, certo? A nova arte para a capa ficou animal e a remasterização deixou as músicas ainda melhores, ou seja, material indispensável em qualquer coleção. Não há muito o que dizer sobre um registro histórico desses, é colocar o disco pra rodar e curtir, afinal são mais de 80 minutos de puro Heavy Metal e diversão garantida! 

Track list: 

CD 1
1. Intro 
2. Lust for Life 
3. Heaven Can Wait 
4. Space Eater 
5. Free Time 
6. Who Do You Think You Are? 

CD 2 
1. The Silence 
2. Save Us 
3. I Want Out 
4. Ride the Sky / Hold Your Ground 
5. Money 
6. Heading for Tomorrow

Gravadora: Ear Music / Shinigami Records

Review: Ancesttral – Web Of Lies


Por Pedro Humangous

A espera valeu a pena! Quase dez anos após o lançamento de “The Famous Unknown”, a banda Ancesttral retorna para assumir seu posto de uma das melhores bandas de Thrash do Brasil! “Web Of Lies” chega nervoso, bufando e babando feito um touro louco, ansioso para despejar sua fúria através de dez novas faixas do mais puro Thrash Metal, repleto de Groove. Não é aquele Thrash, digamos, tradicional. Mas sim algo mais moderno, ou como gostam de dizer, contemporâneo. Na linha de bandas como Metallica e Machine Head por exemplo. Apesar do longo tempo sem lançarem nada de novo, a sensação é que esse novo disco é uma continuação do trabalho anterior, sem grandes mudanças, é como se ignorassem o tempo parados – o que é um bom sinal pra quem já curtia a banda e esperava algo nessa linha. A produção está incrível, deixou o álbum sensacional, com pegada e punch, som cristalino, com o peso na medida. Gostei de todas as composições, umas mais porrada, outras mais cadenciadas (como a “Fight”, mais puxada pro Southern na linha do Volbeat), deixando a audição diversificada e balanceada. Excelente a escolha para os timbres, tanto das guitarras quanto do baixo e bateria, sem falar na ótima performance de Alexandre Grunheidt, dando um show de interpretação. Os riffs e solos estão inspirados e as letras bem interessantes, fatores muitas vezes desprezados, mas que aqui fizeram a diferença. Falando nas letras, o grupo caprichou nas temáticas e principalmente nos refrãos, já dá pra sair cantando logo na primeira e empolgante ouvida. De ponto negativo (nem tanto assim) fica a mudança no logotipo (o anterior era bem mais legal) e a arte da capa, sem grandes atrativos. Fico feliz de ver a banda de volta à ativa e lançando um trabalho nesse nível. Espero que não demorem tanto tempo pra soltar outro disco! Um retorno de respeito, deve figurar entre os melhores do ano, certamente!

Track List: 
1- What Will You Do? 
2- Massacre 
3- Threat To Society 
4- You Should Be Dead 
5- Fight 
6- Nice Day To Die 
7- Pathetic Little Liars 
8- Subhuman 
9- Web Of Lies 
10- Fire 
11- What Will You Do? (Alternate Solo Version) 

Formação: 
Alexandre Grunheidt – vocal e guitarras 
Leonardo Brito – guitarras 
Renato Canonico – baixo e backing vocal 
Dênis Grunheidt – bateria 

Contatos: 

Gravadora: 
Shinigami Records

terça-feira, 23 de agosto de 2016

Review: Kataklysm – Of Ghosts And Gods


Por Pedro Humangous

Acompanhei o Kataklysm de perto até o disco “Prevail”, de 2008. Em “Heaven’s Venom”, de 2010, senti que a banda deu uma estagnada, fazendo mais do mesmo, um som sem grandes atrativos. “Waiting For The End To Come”, de 2013, sequer foi lançado em terras brasileiras e também passou batido. O fato é que a banda mudou um bocado sua sonoridade. “Of Ghosts And Gods”, lançado lá fora no ano passado, chega finalmente ao mercado nacional, trazendo uma banda renovada, nitidamente buscando retomar seu empoeirado posto. Apesar da mudança do baterista, o que mais me chamou a atenção foi o jeito diferente de compor do guitarrista J-F Dagenais (um dos mentores do grupo ao lado do vocalista Maurizio Iacono), mudando completamente o estilo característico do Kataklysm. O disco está mais simples e direto, mais moderno, quase irreconhecível eu diria. Seria esse o novo Kataklysm? Bandas renomadas tem feito isso ultimamente, buscado novos rumos e se afastando da sonoridade que trouxe reconhecimento e fama. As duas primeiras faixas, “Breaching The Asylum” e “The Back Sheep” me assustaram um pouco. “Marching Through Graveyards” restaurou minhas esperanças com seus pedais duplos à velocidade da luz e os riffs dobrados/palhetados de guitarra. Os vocais do Maurizio continuam insanos, aquele gutural abafado, quase engasgado, deixam as músicas ainda mais extremas e brutais – contrastando bem com o senso melódico aplicado ao Death Metal. O disco continua surpreendendo faixa após faixa, apresentando notas de Melodic Death Metal, algo de Metalcore, Thrash e até Groove. Gostei do novo direcionamento que tomaram, esse novo ar que a banda respira faz essa engrenagem toda aquecer e transpirar, colocando pra fora todo seu incessante veneno. É o velho Kataklysm de sempre, soando como um novo Kataklysm jamais ouvido. Se antes sua mesmice havia me afastado da banda, é com “Of Ghosts And Gods” que me fizeram voltar a acompanha-los de perto novamente. Nota: 9,0


Gravadora: Nuclear Blast / Shinigami Records

Review: The Goths – The Death



Por Pedro Humangous

Muitas vezes é bem legal receber um material de uma banda que você não espera e não conhece o som. A novidade é sempre agradável, fica aquela ansiedade pra colocar o disco no som e ver do que se trata. E do que se trata o “The Death”? Trata-se de um disco “classudo” da banda The Goths. Nascido na cidade de Campinas/SP, o grupo é formado por Felipe Disselli (vocais e guitarras), Lucas Disselli (bateria), Will Costa (baixo) e Felipe Hervoso (guitarras) e apresenta um Heavy Rock estiloso, bem composto, com uma sonoridade madura, tudo bem redondo. Ao todo são oito faixas que mesclam entre momentos mais pesados e outros mais melódicos, deixando a audição do trabalho bem leve e agradável. Sim, em alguns momentos sentimos que a banda anda com o freio de mão puxado, talvez pelo timbre das guitarras que ficou limpo demais. A produção está ótima, a mixagem deixou tudo muito bem balanceado, parece disco de banda veterana. Os vocais do Felipe lembram, e muito, os do James Hetfield. Não só os vocais, mas dá pra notar certa influência no som também, algo da fase do Black Album, com uma pitada de Iron Maiden. Os riffs são inteligentes, as linhas do baixo são criativas e bem presentes nas músicas, além de uma bateria precisa e diversificada. Gostei muito desse trabalho, uma grata surpresa! Acho que poderiam melhorar na pronúncia do inglês, pensar talvez numa roupagem mais suja e agressiva para o som e principalmente repensar a parte estética/gráfica do disco. O logotipo e a arte da capa não ajudam muito, não combinam com a proposta sonora da banda – mas isso é questão de gosto e uma opinião pessoal. De qualquer forma, um excelente material, mostra uma banda certa do caminho que quer trilhar, com enorme potencial! Nota: 7,5

Gravadora: Independente - Apoio Roadie Metal

Fazendo arte

Olha que incrível esse trabalho do brasiliense Sandro Macedo! 


Ele aplica a imagem em qualquer objeto de madeira. O resultado ficou simplesmente sensacional!

A arte é de Chris Panatier, que trabalhou recentemente com a banda Dynahead.
Para entrar em contato com o Sandro e solicitar um orçamento para seu trabalho, mande e-mail para Sandro.macedo@gmail.com

domingo, 14 de agosto de 2016

Review: Grey Wolf – Glorious Death


Por Pedro Humangous

Pegue suas vestimentas de couro, spikes e seu machado, é hora da batalha! Fãs do verdadeiro Metal Tradicional, na linha do Manowar, podem levantar suas bandeiras, pois o Grey Wolf está de volta! Aquelas composições incríveis dos anos 80, bem simples, mas extremamente empolgantes, estão todas aqui. Dá pra notar que se trata de um disco novo, com uma gravação mais atual, mas a nostalgia e a sonoridade da época são claras e transbordam dos fones de ouvido – ou caixas de som. A banda, apesar de madura, tem apenas quatro anos de existência, mas se mantém ativa lançando disco após disco, um melhor que o outro. “Glorious Death” é o terceiro da carreira, sendo formado por Fabio Paulinelli (vocais e baixo), Chris Maia (guitarras) e Weslley Victor (bateria) – vale mencionar as participações especiais de Yuri Furlone nos teclados e de Arthur Migotto nos backing vocals (além de ter mixado e masterizado o trabalho). O disco tem uma energia incrível, com aquela essência dos melhores trabalhos do Grave Digger, Cirith Ungol, Manilla Road e Iron Maiden, com guitarras cortantes e um baixo pulsante. A produção ficou redondinha, tudo muito bem encaixado, dosando bem os instrumentos, entregando aquilo que o estilo, a proposta e a temática pedem. O álbum passa voando, tem pouco mais de meia hora de duração, contendo dez empolgantes e viciantes músicas - impossível apontar destaques, todas são muito boas. E o que dizer dessa estonteante arte que ilustra a capa? Lembrou os clássicos quadrinhos do Conan, méritos para o artista francês Nicolas Bournay. Um trabalho irrepreensível, épico e marcante! Não deixe de ouvir e de ter na sua coleção, indispensável! Nota: 9,5


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Review: Stratovarius - Best Of


Por Pedro Humangous

A história do Stratovarius é igualmente interessante e curiosa. Os caras praticamente inventaram um estilo dentro do Heavy Metal, ganharam notoriedade mundial, emplacaram diversos sucessos, tiveram muitas mudanças na formação, mas nunca pararam de criar boa música. A banda dispensa apresentações, não precisamos falar dos tempos gloriosos de álbuns como “Visions” e “Episode”. Tudo o que esses caras fizeram foi sempre de alto nível, sempre tudo fantástico. Claro, tiveram dificuldades no início da carreira e principalmente no momento conturbado da saída de Timo Tolki (guitarrista) e posteriormente de Jorg Michael (baterista) e Jari Kainulainen (baixista). O grupo viveu momentos de instabilidade, de criatividade duvidosa, mas jamais deixaram de continuar, firmes e fortes. “Eternal”, álbum mais recente de inéditas, trouxe uma banda reformulada, de volta aos holofotes, resgatando a essência de seus primórdios, trazendo de volta a esperança aos antigos fãs e conquistando novos. Agora, no meio desse ano, resolveram soltar um “Best Of”, coletânea contendo três discos, sendo dois deles com tudo de melhor que fizeram na carreira e o outro um ao vivo no Wacken de 2015. Temos de tudo aqui, e mesmo faltando uma ou outra música, certamente o set escolhido irá agradar a todos. Todas as fases estão muito bem representadas, trazendo todos seus clássicos absolutos como “Speed Of Light”, “S.O.S”, “Forever Free”, “Distant Skies”, “Black Diamond”, “Hunting High And Low” e até mesmo uma faixa nova, “Until The End Of Days”, muito boa por sinal! O pacote, lançado no Brasil pela Shinigami Records, através de uma parceria com a Ear Music, vem embalado em um lindíssimo digipack em formato de painel, que se desdobra em quatro partes, isso sem falar no maravilhoso encarte, repleto de fotos e letras das músicas. Faltou alguma coisa? Absolutamente nada meus amigos, um lançamento digno de uma grande banda que marcou definitivamente a história do Heavy Metal mundial, muito bem representada aqui através dessa coletânea. Indispensável para qualquer amante da música pesada! É nostálgico, é novo, é empolgante!  Nota: 10

Track List: 
CD1 
1. Until The End Of Days (brand new song) 
2. My Eternal Dream 
3. Eagleheart 
4. Speed Of Light 
5. S.O.S . 
6. Forever Free 
7. Wings Of Tomorrow 
8. No Turning Back 
9. Break The Ice 
10. Distant Skies 
11. Will The Sun Rise? 
12. A Million Light Years Away 
13. Under Flaming Skies 
14. Darkest Hours 
15. Winter Skies 
16. I Walk To My Own Song 
17. Maniac Dance 

CD2 
1. Halcyon Days 
2. Will My Soul Ever Rest In Peace? 
3. Destiny 
4. Paradise 
5. Deep Unknown 
6. Elysium 
7. Black Diamond 
8. If The Story Is Over 
9. Unbreakable 
10. Forever 
11. Shine In The Dark 
12. Hunting High And Low 

CD3 – Live At Wacken 2015 
1. Intro 
2. Black Diamond 
3. Eagleheart 
4. Against The Wind 
5. Dragons 
6. Legions Of The Twilight 
7. Paradise 
8. Shine In The Dark 
9. Speed Of Light 
10. Unbreakable 
11. Hunting High And Low 

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segunda-feira, 18 de julho de 2016

Review: Sabaton – Heroes On Tour


Por Pedro Humangous

É incrível ver a ascensão meteórica do Sabaton. Os caras passaram de “apenas mais uma banda de Power Metal" para se tornar uma das principais do estilo, com reconhecimento mundial. Com uma discografia sólida e lançamentos cada vez mais incríveis, o grupo é uma das grandes apostas da Nuclear Blast, lotando shows mundo afora. “Heroes On Tour” mostra exatamente esse status de grande banda, dando um panorama geral do poder de fogo desses suecos. Esse lindo pacote, lançado no Brasil através da parceria com a Shinigami Recors, traz dois DVDS e um CD, embalado em uma maravilhosa arte, encarte com fotos e um repertório de tirar o fôlego. No DVD 1 temos a apresentação completa no Wacken de 2015, com belas imagens durante o dia/fim de tarde, uma fantástica produção de palco (com direito a um tanque de guerra!), boa iluminação e principalmente um competente trabalho de câmeras. O registro em vídeo está muito bem feito, bem produzido, com uma imagem animal – pena que não saiu em blu-ray aqui no nosso país. Tive a oportunidade de ver o Sabaton ao vivo em Porto Alegre e uma coisa que gosto neles é a simpatia e felicidade com que todos os integrantes tocam, é contagiante!  A mesma vibração pôde ser sentida nesse DVD, estava nítida a alegria no rosto de cada um deles e consequentemente no público também. O set list está matador, englobando todas as fases da banda, incluindo seus maiores sucessos – uma pena não terem incluído “Smoking Snakes”, a preferida de muitos brasileiros. No DVD 2, temos a apresentação no Sabaton Open Air, também em 2015, com um set list ligeiramente diferente,  mas não menos empolgante! O trabalho de câmeras é bem diferente do primeiro DVD, o aspecto visual também tem outra pegada, ou seja, você tem dois grandes shows nesse pacote! O CD traz o mesmo set da apresentação no Wacken, tudo muito bem mixado, cristalino e empolgante! Resumindo, esse é um produto incrível, indispensável em qualquer coleção! Adquira sem medo! “Heroes On Tour” é o resumo da melhor fase do Sabaton, imperdível! Nota: 9,5



Contato: https://www.facebook.com/sabaton

domingo, 10 de julho de 2016

Review: Death Angel – The Evil Divide


Por Pedro Humangous

O Death Angel sempre soube sua posição dentro do Thrash Metal mundial. Apesar de ser uma excelente banda, sempre foi “time da segunda divisão” se comparada aos grandes nomes. Nem por isso deixam de lançar grandes trabalhos ou de ser uma banda relevante, carregando uma legião de fãs por onde passa. Após o longo silêncio que precedeu o lançamento de “The Art Of Dying”, o grupo voltou a campo com ótimos discos. Agora, em maio de 2016, colocam no mercado mais um disco de inéditas, intitulado “The Evil Divide”. A capa, e todo o encarte, são muito sem graça, com uma arte simplória e sem sal, além da monotonia do preto e branco. Felizmente essa frieza não afetou a qualidade sonora desse álbum, que está devastador, empolgante, intenso, puro Thrash Metal! Temos que bater palmas de pé para a incrível produção e qualidade de gravação, mixagem e masterização – está tudo redondinho aqui, polido na medida certa, sem perder o ‘punch’ que o estilo requer. Dosaram muito bem sua sonoridade oitentista com uma roupagem mais moderna, misturando o Thrash tradicional com bastante melodia e groove. Senti uma mistura de tudo o que já ouvi em bandas do estilo, uma pegada alemã puxando pro Destruction, sem deixar de lado o estilo americanizado como Testament e Annihilator. Os solos estão de cair o queixo, inspirados e muito bem compostos, encaixando perfeitamente em cada momento das músicas. Impossível não destacar os solos de Jason Suecof (que também produziu o álbum) em “Cause For Alarm” e de Andreas Kisser em “Hatred United/United Hate”, ambos fenomenais. Falando nas composições, gostei da variação que buscaram, sendo rápidos e agressivos e em certos momentos mais cadenciados e ultra melódicos. “The Evil Divide” está simplesmente sensacional, um dos melhores discos de Thrash dos últimos tempos e definitivamente o ponto alto na carreira do Death Angel! Nota: 9,0


Review: Grand Magus – Sword Songs

(Gravadora: Nuclear Blast / Shinigami Records)

Por Pedro Humangous

É, demorei pra criar coragem para ouvir algo do Grand Magus. Claro, já tinha ouvido falar da banda antes, já havia escutado umas músicas aqui e ali, mas nunca realmente dei muita bola e a merecida atenção. Resolvi começar pelo mais recente trabalho, “Sword Songs”. A primeira coisa que me veio à mente foi: esse seria um disco que o Manowar lançaria se estivesse surgindo em 2016. Todo o estilão, a forma de compor, a sonoridade, a temática, tudo aqui exala o “verdadeiro True Metal” – desculpem a redundância. “Sword Songs” escancara suas influências, não esconde o clichê espalhado em cada canto, afinal, onde águia e espada é novidade pra alguém? Esse é o oitavo disco na carreira dos suecos, que passaram por uma fase de transição, começando com um Stoner/Doom e terminando agora com um Metal Tradicional de primeira linha. Obviamente é possível sentir resquícios da fase antiga, o que é um belo tempero e um diferencial. Não tem como negar, as faixas são viciantes e grudentas, todas elas! Os caras são muito bons no que fazem, JB nos incríveis vocais e guitarras, Fox no baixo e Ludwig em uma das melhores baterias que ouvi nos últimos anos! O disco passa voando, sinal de que a audição do trabalho por completo é muito boa. São nove faixas no total, sendo uma delas instrumental, além de mais duas faixas bônus, “In For The Kill” e o cover para “Stormbringer” do Deep Purple. Grand Magus é uma banda que certamente agradará a todos, principalmente fãs de Manowar, Cirith Ungol e Manilla Road. Um som simples, honesto, calcado no tradicional sem deixar de ser épico ao extremo! Nota: 8,5


domingo, 3 de julho de 2016

Review: The Resistance – Coup De Grâce

(Gravadora: Shinigami Records)

Por Pedro Humangous

Um novo nome no cenário mundial surge apresentando um disco com nome pra lá de esquisito. A arte da capa e seu conceito visual pouco dizem sobre o estilo praticado e sinceramente não chama muito a atenção – se comparada às grandes artes que temos visto ultimamente. Mas, como o velho ditado já diz, nunca julgue um livro pela capa. Pesquisando sobre a banda, temos a gratificante surpresa ao saber dos integrantes que formam o The Resistance, saca só: Marco Aro (The Haunted) nos vocais, Jesper Strömblad e Glenn Ljungström (ex-In Flames) nas guitarras, Chris Barkensjö (Grave) na bateria e Rob Hakemo (ex-M.A.N.) no baixo. Posteriormente Glenn deixou a banda, dando o lugar para o guitarrista Daniel Antonsson (ex-Soilwork, Dark Tranquillity). Fiquei ainda mais assustado em saber que a banda já havia lançado dois EPs e um álbum, portanto, esse é seu segundo disco na carreira. E o que temos aqui em termos de sonoridade? Death Metal old school, puro, seco e agressivo! Talvez um pouco do The Haunted, mas praticamente nada do In Flames, como era de se esperar. Temos aquelas guitarras sujas e distorcidas no melhor estilo sueco de se fazer o Metal da Morte, bem na linha de bandas como Entombed e Dismember. O disco não tem altos e baixos, segue na mesma linha durante as treze faixas que compõem o trabalho. Os riffs estão insanos, viciantes e prontos para dilacerar pescoços. Os vocais de Marco também estão incríveis aqui, combinando perfeitamente com a proposta instrumental. Minha única ressalva fica por conta da mixagem que deixou a bateria um pouco abafada, principalmente os pratos que ficaram sem brilho. As músicas passam seu recado em pouco tempo, a maioria nem passa dos três minutos de duração, portanto, já sabe que a pancada é forte e certeira né? Em alguns momentos a banda experimenta inserindo elementos de Thrash e Hardcore (como na faixa “Smallest Creep”), dando mais dinâmica à audição. A parceria entre a Ear Music e a Shinigami Records tem rendido ótimos frutos para o mercado nacional, o banger brasileiro não tem do que reclamar. Esse é um belo disco, repleto de músicas extremas e de bom gosto, formada por grandes nomes do Metal mundial. Uma pena que tenham encerrado suas atividades recentemente, mas o legado deixado jamais pode ser apagado. Aproveite! Nota: 7,5


Review: Gamma Ray - Lust For Live (25th Anniversary Edition)

(Gravadora: Shinigami Records)

Por Pedro Humangous

O sorriso de orelha a orelha brilha ao colocar as mãos nesse grande lançamento dessa lendária banda. Para comemorar os 25 anos de carreira, o Gamma Ray está lançando uma série de discos remasterizados e “Lust For Live” é um deles. Esse trabalho marca o fim de uma era, época em que Ralf Scheepers ainda assumia os vocais (e ainda tinha cabelo), com Kai Hansen e Dirk Schlachter nas guitarras, Jan Rubach no baixo e Thomas Nack na bateria. E que fase meus amigos! O álbum foi gravado originalmente em 1993, na Alemanha, e agora em 2016 temos pela primeira vez lançado em áudio – anteriormente fora lançado somente em VHS e DVD. Esse foi o último registro com Ralf nos vocais, que, posteriormente, saiu para formar o Primal Fear. A banda estava em alto nível, vivendo seu auge e, na época, lançava o ótimo “Insanity And Genius”, portanto, grande parte do set list foi focado nesse disco. Porém, não deixaram de fora outros hinos da banda como “Heading For Tomorrow”, “Space Eater” e “Changes”. Obviamente não deixaram de fora os clássicos do Helloween como “I Want Out”, “Future World” e “Ride The Sky” – gravadas no estilo medley. O áudio foi todo remasterizado por Eike Freese e realmente ficou incrível, deu a real sensação de estar lá, ao vivo, no show com os caras, tudo bem orgânico e natural. Ralf canta demais e, ao lado de Kai, é o grande destaque do disco, seu potente agudo abrilhantava ainda mais cada canção tocada. O encarte é muito legal, contendo várias fotos, histórias e notas interessantes. Outra coisa que gostei muito foi a arte da capa, muito bonita! Essa série de relançamentos está muito legal e tem muita coisa por vir ainda, vale a pena ter todos na coleção! Nota: 9,0

segunda-feira, 27 de junho de 2016

Review: Hatebreed - The Concrete Confessional

(Gravadora: Nuclear Blast / Shinigami Records)

Por Pedro Humangous

Holy shit, eles voltaram! Se o álbum anterior, “The Divinity Of Purpose”, eles já se mostravam no auge, em “The Concrete Confessional” eles se superaram! O nível de agressividade ultrapassou o limite e devasta tudo por onde passa. Esqueça seus tímpanos, coloque esse disco no máximo quando for ouvi-lo e tenha a certeza de que será literalmente atropelado por uma coleção de riffs insanos, viciantes e cortantes como uma navalha afiada! Os caras mesclam, com maestria e extrema facilidade, uma porção de estilos dentro de um só, criando e mantendo seu som característico, intacto e empolgante como sempre. A sonoridade Hatebreed de ser não mudou, mas é possível notar certa evolução e maturidade nas composições. Temos aqui a clássica fusão entre o Hardcore e o Thrash, com certas doses de Death, Punk, Crossover e bastante Groove. As faixas estão rápidas, sempre com o pé atolado no acelerador, descendo faixa após faixa como uma avalanche. As músicas são curtas, todas (com exceção de apenas uma) têm menos de três minutos de duração, portanto, o recado é dado sem rodeios e firulas. A trinca de abertura, “A.D.”, “Looking Down The Barrel Of Today” e “Seven Enemies” são matadoras e já ditam o ritmo do álbum, um tapa impiedoso na orelha do ouvinte. “In The Walls” e “From Grace We’ve Fallen” são as melhores representantes do Thrash com pegada Death, soando como uma mutação genética entre Soulfly, Slayer e Mastodon. É tanta música boa que fica difícil e injusto apontar destaques, o trabalho todo está fantástico. Vale mencionar a linda arte que ilustra a capa, créditos para o brasileiro Marcelo Vasco (que trabalhou recentemente com as bandas Slayer, Machine Head, Borknagar, entre outros grandes nomes mundiais). Que disco meus amigos! Forte candidato nas listas de melhores desse ano! Simplesmente imperdível! Nota: 9,0


Review: Nervosa – Agony


Por Pedro Humangous

A inveja e o machismo sempre atormentaram a carreira da banda Nervosa. O fato de ser formada por três talentosas mulheres parece incomodar, e muito, o cenário do Metal – no Brasil e no mundo. A resposta dada por Fernanda Lira (vocais e baixo), Prika Amaral (guitarras) e Pitchu Ferraz (bateria) é traduzido em boa música, deixando boquiaberto e embasbacado qualquer um que ousou duvidar de suas habilidades e capacidade. Temos sim que bater palmas para elas por terem conquistado um enorme espaço em tão pouco tempo. Fincaram os dois pés, bem fundo, no terreno dos grandes nomes do metal mundial, tocando mundo afora ao lado de bandas consagradas e nos mais variados e renomados festivais. O nível de profissionalismo que buscam é louvável, sempre com qualidade sonora e visual indiscutíveis. Você pode não gostar da música do Nervosa, mas precisa respeitar. “Victim Of Yourself” já foi um excelente cartão de visitas como álbum de estreia, agora em “Agony” se mostram ainda mais superiores. O som não é nada inovador, é o bom e velho Thrash Metal, tradicionalíssimo, seguindo a escola de nomes como Destruction, Kreator, Slayer e Exodus. Em termos de composição, também seguem a receita à risca, acertando em cheio no resultado final. Músicas empolgantes, velozes e muito bem executadas. Os riffs estão insanos, sempre acompanhados de perto pelo pulsante baixo e uma bateria violenta! Os vocais da Fernanda são muito bons, puxando para as linhas do Schmier (Destruction), porém, em alguns momentos cansam pelos gritos/urros incessantes no final de praticamente todas as frases. A produção ficou nas mãos do experiente Brendan Duffey, a mixagem e masterização feitas pelo talentoso e consagrado Andy Classen (já trabalhou com bandas como Violator, Krisiun, Tankard, Belphegor, Legion Of The Damned, etc). Os destaques vão para a faixa “Guerra Santa”, cantada em português, para a surpreendente “Wayfarer” com belos vocais limpos de Fernanda, puxando para o Blues, e para a escolha certeira de Godmachine para a arte da capa, um dos meus artistas favoritos atualmente. O álbum acaba de ser lançado no mercado nacional pela Shinigami Records, possui doze faixas e vem em uma linda embalagem digipack. “Agony” é uma bela evolução na carreira do Nervosa, se continuarem firme no caminho, chegarão muito mais longe ainda! Nota: 8,0