domingo, 22 de janeiro de 2017

Review: In Flames – Battles

(Gravadora: Nuclear Blast / Shinigami Records)

Por Pedro Humangous

Essa geração chata e exigente deixou as bandas confusas. Pode reparar como os grandes nomes, com uma carreira estabilizada, se perderam após o “boom” da internet. As pessoas querem sempre inovação, com isso os músicos tentam se reinventar a cada novo álbum e acabam perdendo o rumo. Isso aconteceu com o Hammerfall, Sonata Arctica, Trivium, Opeth, até o Iron Maiden. Claro, as próprias bandas se dizem cansadas de tocar as mesmas coisas, que amadureceram. Mas no fundo, a gente quer mesmo é ouvir aquele som que fez com que gostássemos de tal banda desde o princípio. E com o In Flames não foi diferente. A cada novo disco eles foram se distanciando do clássico Melodic Death Metal que fez tanto sucesso na década de 90 com discos como “Clayman”, “The Jester Race”, “Whoracle” e “Colony”. Em “Sounds Of A Playground Fading” a coisa começou a tomar novos, e questionáveis, caminhos, passando pelo pouco inspirado “Siren Charms”, de 2014. Eu li essa frase em algum lugar e confesso que se aplicou bem ao In Flames: “se tocasse Metal nos elevadores, “Battles” seria um disco perfeito”. A verdade é que esse novo trabalho é um verdadeiro sobe e desce mesmo. Algumas músicas bem legais, com riffs interessantes que remetem aos bons discos dos anos dois mil, como “A Sense Of Purpose” e “Come Clarity”. Em compensação, temos outras composições juvenis, simplórias, com refrãos bonitinhos (beirando a sonoridade Emo), programados para grudar no seu cérebro. Uma coisa é certa, a agressividade se foi, o som ficou cada vez mais mecânico, no piloto automático, seguindo uma fórmula de “sucesso”(?). Para curtir esse álbum é preciso entender que a banda definitivamente mudou, não podemos fazer comparações com seu passado e procurar entender seu novo direcionamento, tentar absorver o que há de bom nessas composições. De fato as músicas estão mais sensíveis, mais acessíveis e em busca de renovação – tanto em sua roupagem musical quanto, provavelmente, em sua base de fãs. As duas primeiras faixas, “Drained” e “The End” são realmente boas e empolgantes, infelizmente “Like Sand”, que vem na sequência, funciona como um balde de gelo, “bobinha” e arrastada, é skip na certa. Outro destaque positivo vai para “Underneath My Skin”, com uma construção interessante e um trabalho de vocais muito bom. A versão nacional conta com quatorze músicas, sendo as duas últimas como bonus tracks. No geral, após ouvir o “Battle” por diversas vezes, posso dizer que é um ótimo disco de Alternative Rock. 


Contato: http://www.facebook.com/inflames
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Review: Vader – The Empire

(Gravadora: Nuclear Blast / Shinigami Records)

Por Pedro Humangous

O Vader já está na “pista” há mais de 30 anos. Os caras não se cansam e entregam discos cada vez mais insanos, seguindo sua fórmula infalível, deixando sua estrutura inabalável – pouca coisa mudou na sonoridade dos poloneses durante sua carreira. Cada álbum lançado é um tijolo, formando um verdadeiro paredão de Metal. “The Empire” é o décimo primeiro álbum de estúdio e foi lançado no final do ano passado, contendo 10 faixas do mais puro Death Metal, avassalador, veloz, cavalar. Suas pequenas doses de Thrash dão um charme a mais nas composições que, desta vez, estão soando ainda mais old school. A capa foi desenvolvida pelo famoso Joe Petagno, que já trabalhou com bandas como Motorhead, Krisiun, Sodom, Nervochaos, dessa vez deu uma pequena deslizada, achei a capa simplória demais e muito escura, tornando difícil identificar os elementos da arte. A produção está ótima, deixou as músicas bastante impactantes e potentes. A mixagem também dá um show, é possível ouvir todos os instrumentos com clareza – com bons fones de ouvido você pode acompanhar as linhas do baixo, o pedal duplo da bateria e os riffs secos das guitarras. Sobre os vocais de Peter, não é preciso tecer elogios nem comentários extras, continua cavernoso e implacável. Destaque passa os solos absurdos que estão presentes em todas as faixas. De bônus temos o EP “Iron Times”, contendo quatro faixas extras – com direito ao cover de “Overkill” do Motorhead. Por mais que não tenhamos nada de inovador aqui e a estrutura das músicas seja a mesma ao longo de todo disco, temos em mãos um trabalho digno da frutífera e relevante carreira que é a do Vader. 


Contato: https://www.facebook.com/vader/
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domingo, 15 de janeiro de 2017

Review: Meshuggah – The Violent Sleep Of Reason

(Gravadora: Nuclear Blast / Shinigami Records)

Por Pedro Humangous

Já me pediram uma vez para descrever o som que o Meshuggah faz e simplesmente não encontrei as palavras corretas que fizessem sentido. É algo único, distinto, irrotulável. “The Violent Sleep Of Reason” é o oitavo álbum dos suecos que conquistaram o mundo com seu som tétrico, absurdamente técnico e de dificílima digestão. Logo na primeira faixa, “Clockworks”, já fiquei de queixo caído com tamanha potência sonora, guitarras e baixo ultra encorpados, afinações baixas em "milhares" de cordas, uma bateria completamente quebrada e um vocal insano. Tudo aqui parece um quebra-cabeça onde cada peça desempenha seu importante papel para que a obra seja revelada no final. “Bater cabeça” ao som do Meshuggah parece tarefa impossível, pois os ritmos são imprevisíveis, fora do tempo “comum” – aliás, nada aqui é dentro dos padrões. Ainda estou impressionado com o timbre das guitarras, estão perfeitos, conseguem ser agressivos e pesados, mas ao mesmo tempo pode-se dizer que soa cristalino. A produção e mixagem estão impecáveis, você sente a pressão como uma verdadeira barreira de som impactando seu peito e ouvidos. Apesar de não trazer nada exatamente novo, a fórmula criada por eles se mantém firme e eficaz. Se comparado aos dois álbuns que precedem este, “Obzen” de 2008 e “Koloss” de 2012, nota-se uma evolução constante na parte técnica, na precisão, na forma brilhante com que deixam tudo ainda mais extremo e mais belo. Os solos estão maravilhosos, trazendo certo respiro às composições, gerando aquela atmosfera tão estranha e familiar. Muitos dão o crédito ao Meshuggah por terem criado o chamado “Djent”, fórmula que se espalhou pelo mundo feito um vírus letal, estilo adotado por nove entre dez bandas da atualidade. Mesmo com essa enxurrada de bandas seguindo por esse caminho, eles ainda ditam as regras e reinam soberanos. A maioria das faixas tem longa duração, passando dos seis minutos, fator que em alguns casos acaba sendo negativo, pois os riffs se repetem demasiadamente, fadigando a audição do meio para o fim. Os pontos interessantes são as guitarras dissonantes, o Groove intenso, a complexa e inteligente bateria e o fator surpresa, sempre presente. Aqui todas as músicas são igualmente insanas, mas destaco as viciantes “MonstroCity” e “Ivory Tower”. Apesar de não ser um disco de fácil compreensão e necessitar de várias audições, esse foi um dos álbuns do Meshuggah que mais me identifiquei, onde as músicas se tornaram mais marcantes com rapidez. Carreira e discografia impecáveis, um álbum melhor que o outro. 



Review: Sabaton – The Last Stand

(Gravadora: Nuclear Blast / Shinigami Records)

Por Pedro Humangous

Como é impressionante o crescimento do Sabaton nos últimos anos! Um maior investimento financeiro por parte da gravadora, uma melhor produção de palco, preocupação com a parte gráfica (capas cada vez mais lindas) e voilà, o sucesso mundial lhe espera! Se reparar bem, o som do Sabaton não mudou praticamente em nada, apenas sua atitude e a qualidade que entregam em tudo o que resolvem fazer. “The Last Stand” é o oitavo álbum de estúdio da banda e foi produzido por Peter Tägtgren (Hypocrisy) no Abyss Studios, sendo lançado no final do ano passado. A primorosa arte da capa, desenvolvida por Peter Sallai, lembra os jogos de videogame atuais, retrata diversos momentos históricos de batalha, passando por espartanos, samurais e soldados. O disco não é conceitual, mas é uma verdadeira aula de história, abrangendo as mais gloriosas batalhas – tudo isso muito bem ilustrado no encarte, com letras bem legais. A banda conseguiu atingir seu ápice criativo, estão extremamente afiados e sabem criar verdadeiros hinos com facilidade, todas as músicas simplesmente grudam no seu cérebro logo na primeira audição. Seu Power Metal é leve, simples e viciante, souberam bem encaixar os teclados, riffs interessantes e solos memoráveis. Os vocais ganham ainda mais força quando acompanhados dos coros, tudo muito bem composto, bem construído – chega a ser invejável. As faixas estão um pouco mais curtas e diretas, retiraram um pouco o foco das guitarras e apostaram mais nas atmosferas criadas para ambientar o ouvinte em cada história contada. Com a difícil tarefa de suceder o incrível “Heroes” e superar o clássico “Carolous Rex”, eu diria que o trabalho aqui foi muito bem feito, situando-se entre os dois citados acima – não supera, mas também não fica atrás. Os refrãos estão fantásticos, daqueles que enchemos os pulmões para cantarmos juntos – fico imaginando essas canções ao vivo nos shows da banda! Todas as músicas são verdadeiramente boas, se tivesse que indicar alguns destaques, diria que ficam por conta de “Sparta”, “The Lost Battalion”, “Rorke’s Drift” e “Shiroyama”. Para abrilhantar ainda mais esse pacote, o lançamento no Brasil vem acompanhado de um DVD bônus, com um show na França contendo 19 faixas, mostrando todo o poder de fogo desses suecos (para quem preferir, existe ainda a versão simples, sem o DVD)! Indiscutivelmente fantástico e de obrigatória aquisição para sua coleção!



CD
1. Sparta
2. Last Dying Breath
3. Blood of Bannockburn
4. Diary of an Unknown Soldier
5. The Lost Battalion
6. Rorke's Drift
7. The Last Stand
8. Hill 3234
9. Shiroyama
10. Winged Hussars
11. The Last Battle
12. All Guns Blazing (JUDAS PRIEST cover)
13. Camouflage (Stan Ridgway cover)

DVD – Live In Nantes, France 2016
1. The March to War
2. Ghost Division
3. Far from the Fame
4. Uprising
5. Midway
6. Gott Mit Uns
7. Resist and Bite
8. Wolfpack
9. Dominium Maris Baltici
10. Carolus Rex
11. Swedish Pagans
12. Soldier of 3 Armies
13. Attero Dominatus
14. The Art of War
15. Wind of Change
16. To Hell and Back
17. Night Witches
18. Primo Victoria
19. Metal Crüe

terça-feira, 10 de janeiro de 2017

10 discos pra sair da mesmice - Parte 2

Há exatos 2 anos, fiz uma lista com 10 indicações de álbuns para você sair da zona de conforto - você pode conferir a matéria AQUI.

Nesses últimos 730 dias que se passaram, muita coisa boa foi lançada. Discos dos grandes medalhões e discos do mais puro enterrado underground. Fiz uma seleção de mais 10 discos fora do ponto comum, coisas que, provavelmente, você ainda não tenha ouvido.

Vou colocar o bom e velho disclaimer, só pra garantir:

"Não são as melhores bandas, nem as mais inovadoras, são apenas dicas de gosto pessoal do redator. Esperamos que gostem e possam compartilhar com os amigos! Não gostou da minha lista? Não tem problema, crie a sua própria lista e divulgue também! Tenho certeza de que muita gente irá gostar e assim estaremos todos conhecendo mais bandas!"

1) Rats - Por Terra, Céu e Mar

Oh yeah! Já começamos com uma indicação de banda brasileira! Homem ao mar! Os marujos do Rats tocam um Irish Punk Folk Hardcore Bucaneiro, segundo informação na página da própria banda. As letras são em português e muito divertidas! Destaque para o banjo e sanfona, sempre presentes! Mesmo estando gratuito em todos os lugares, fiz questão de comprar minha cópia física.



2) Space Unicorn of Fire - Gallop Through the Stars

Conhece alguma banda da Eslovênia? Pra ser sincero não conheço absolutamente nada desse país. Porém, temos uma bela banda de Power Metal vinda de lá! Se tem "Of Fire" ou "On Fire" só pode ser coisa boa, certo? É uma mistura de tudo o que já ouvimos antes, juntos em um caldeirão: Gloryhammer, Stratovarius, Dragonforce. Nada inovador, genérico, mas muito bom!



3) Khemmis - Hunted

Disco numero 1 da lista de melhores do ano do renomado site Metal Injection, revelação do ano para este que vos escreve. A banda Khemmis já encanta por sua belíssima arte que ilustra a capa e ao colocar a bolacha pra tocar, somos surpreendidos por um Stonerzão sujo regado ao melhor que o Doom pode oferecer. Vocais limpos, melancólicos e ora guturais. Simplesmente perfeito! Cuidado, altamente viciante.



4) A Sense of Gravity - Atrament

Inacreditável como existem tantas bandas maravilhosas escondidas por ai. A capacidade de se reinventarem a cada dia também precisa ser estudada. Fiquei boquiaberto ao ouvir esse trabalho. Intricado, diferente, inesperado. Você não sabe o que vem nos próximos segundos e isso é o que mais engrandece esse álbum. Tem Jazz, tem Death Metal, tem voz bonitinha acompanhada de teclado, tem guitarras Djent, ou seja, animalesco!



5) Monolith - Nexus

Não há muito o que dizer aqui. Épico, moderno, grandioso. Inteligência e ousadia a favor da música pesada. Vou deixar só esse trecho aqui, inserido no meio da música, pra vocês terem uma ideia:

29:20
The Simpsons theme
Jurassic Park theme
Pocahontas - Colors of the wind
Frozen - Let it Go
Lion King - Can you feel the love tonight
Disney theme
The Little Mermaid - Under the sea
Aladdin - A whole new world



6) Them - Sweet Hollow

Gosta de King Diamond? Eu diria que essa é a melhor banda de tributo ao rei. Eles inclusive substituíram a Melissa pela Miranda. É uma cópia descarada travestida de homenagem. Independente disso, é maravilhoso!



7) Painted In Exile - The Ordeal

Caótico, complexo e belo. Uma boa alternativa pra quem curte Between The Buried And Me. É extremo e progressivo, possui milhares de variações ao longo da mesma música. As bandas estão mesclando tanto os estilos que a gente se perde na hora de tentar classifica-las. Pensando bem, pra que né? Apenas ouça:



8) Amendfoil - Empyrean & Ophidian

Preparados para um Mastodon mais modernoso? Stoner/Sludge ultra técnico, transitando com maestria entre partes mais acessíveis e belas, com vocais mais limpos e cantados, contrastando partes mais sujas, velozes e agressivas. E as guitarras... que guitarras meus amigos!




9) Noveria - Forsaken

Temos fãs de Prog Metal aí? Sente o peso dessas guitarras, olha o alcance desse vocalista! Impossível não abrir um sorriso logo de cara! É um mix entre Vision Divine, Labyrinth e Symphony X. Os solos são absurdamente insanos, as composições são encorpadas e atmosféricas. Certamente um dos destaques do estilo no ano passado.



10) RXYZYXR - LMNTS

O desafio já começa antes de ouvir o álbum: como pronunciar essa caceta de nome? Bem, independente disso, o álbum"LMNTS" é incrível, variado, denso como o ar quente. À primeira vista, soam como um Meshuggah, mas o som do RXYZYXR vai muito, mas muito, além disso. Rola umas viagens loucas no meio das músicas, passagens atmosféricas, vocais limpos. Lembra uma mutação genética entre o Tool e o Meshuggah. 



Bonus track:

Não é bem Metal, mas é muito legal esse projeto chamado Anamanaguchi. É um Punk/Rock 8 Bits, baseado nos games dos anos 80. Ultra melódico e cheio de energia, consegue soar como uma perfeita junção entre a modernidade digital e o saudosismo de uma era analógica. Genial!




domingo, 8 de janeiro de 2017

Review: Opeth – Sorceress


Por Pedro Humangous

Complicada a tarefa de resenhar um disco de sua banda favorita. Principalmente por se tratar do Opeth, banda que dividiu opiniões nos últimos anos, mudando sua sonoridade completamente nos três álbuns mais recentes de sua discografia. Uma grande parte dos fãs adorou a mudança, outra grande parcela simplesmente não suportou. Há uma parcela significativa, e eu me enquadro nesse grupo, que conseguiu curtir e assimilar as duas fases da banda. Obviamente o que me fez curtir essa incrível banda sueca foi a perfeita transição que faziam entre seu lado mais obscuro, extremo e a beleza dos violões e vocais limpos, a calmaria e a tempestade caminhando juntas. É importante dizer que para essa resenha, não li nenhum comentário ou críticas sobre o álbum, nem ouvi as músicas em outro lugar até que tivesse o CD em minhas mãos. Portanto, com olhos e ouvidos virgens, transcrevo minha percepção desse que é o décimo segundo trabalho do Opeth. Se você está curioso para saber se trouxeram de volta os guturais, não, infelizmente não foi dessa vez. Se fizeram falta? Pela primeira vez, nessa nova fase, não senti falta dos vocais, pois compensaram o peso nos instrumentos. As guitarras estão muito mais carregadas, com um timbre mais sujo, abusando de passagens mais técnicas e de um Prog mais atual – sem deixar de lado o ar setentista, já característico. Acredito que tenham encontrado em "Sorceres" seu equilíbrio, um mix entre “Heritage” e “Pale Communion”. Dá pra notar que o grupo está mais coeso, se sente mais confortável em suas composições. Incrível como exploram bem o “vazio”, momentos de pura introspecção, onde quase não há instrumentos, mas há muito conteúdo, tudo tem um propósito no som do Opeth, e quanto mais você ouve, mais você percebe os pequenos detalhes. Parece que finalmente a estranheza passou e com conforto aos ouvidos podemos curtir um disco do Opeth, sem julgamentos, sem questionamentos. A linda introdução, “Persephone”, com uma pegada Folk, eleva o espírito e nos prepara para “Sorceress”, a primeira faixa liberada antes do lançamento oficial do disco. Nela temos um baixo bastante presente e criativo, seguido na cola pelas guitarras, numa levada Jazz/Prog, tudo acompanhado por linhas vocais assertivas, bem diferente do que estamos acostumados a ouvir – um belo cartão de visitas. “The Wilde Flowers” logo me encantou na primeira audição, as partes mais aceleradas seguida de um solo de tirar o fôlego e a parte mais calma no meio, com o fim impactante, deixou tudo muito bem diversificado, imprevisível. “Will O The Wisp”, acústica no estilo balada, é "legalzinha", mas enjoa rapidamente. É bem construída, mas definitivamente é minha menos favorita no álbum. Para compensar, emendam com uma paulada certeira em “Chrysalis”, psicodélica, veloz e repleta de teclados insanos, isso sem falar nas linhas absurdas de bateria, certamente uma das melhores até aqui. “Sorceress 2” segue a linha calma e acústica, com voz, violão e teclados – belíssima faixa, mas pouco marcante se comparada às demais. “The Seventh Sojourn” é bem diferente, com tambores e percussões, parecem músicas árabes e egípcias (me lembrou a trilha sonora do jogo Diablo II), bem atmosférica e rica em detalhes. “Strange Brew” incorpora de vez o espírito de bandas dos anos 70 e sua inegável influência, latente e pertencente ao Opeth agora. As demais, que fecham o álbum, “A Fleeting Glance”, “Era” e “Persephone (Slight Return) seguem na mesma linha, com começo mais lento e seco, culminando em algo mais robusto e pesado. A versão brasileira, lançada em parceria entre a Nuclear Blast e Shinigami Records, vem num digipack duplo, lindão, com destaque para as maravilhosas artes que embalam o pacote (Travis Smith se superou dessa vez, a capa foi minha favorita do ano). O disco bônus traz ainda duas fantásticas composições, “The Ward” e “Spring MCMLXXIV”, além de mais três registros ao vivo, “Cusp Of Eternity”, “The Drappery Falls” e “Voice Of Treason”, ou seja, barba, cabelo e bigode! O melhor álbum do Opeth dessa nova fase e um dos destaques de 2016! E o que podemos esperar daqui pra frente? Felizmente e infelizmente, impossível prever!


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Review: Sodom – Decision Day

(Gravadora: Shinigami Records)

Por Pedro Humangous

Os caras simplesmente não se cansam! O bom e velho tanque de guerra alemão está de volta com mais um álbum, “Decision Day”! A impactante e colorida arte da capa (ilustrada pelo famoso Joe Petagno) já denuncia o conteúdo: de um lado temos a bandeira americana, do outro temos a russa, e no centro a figura de um soldado deformado empunhando sua arma de fogo, ou seja, it’s fucking war! O Sodom resistiu ao tempo e sempre se manteve fiel ao seu estilo, sem nunca decepcionar. Inovam pouco, eu sei, mas o que queremos deles mesmo é o Thrash, direto e sem frescuras. Podemos perceber um leve toque de Black nos vocais de Tom Angelripper (remetendo aos primeiros discos), umas passagens acústicas aqui e ali, mas de modo geral, a sonoridade da banda continua intacta. Bernemann é simplesmente uma máquina de criar riffs, um melhor que o outro, fazendo com que o pescoço balance involuntariamente. Os solos também estão incríveis, empolgantes e criativos. As três primeiras faixas são primorosas, viciantes e energéticas (com destaque para faixa-título), misturando um pouco do estilo do Slayer com o do Exodus. “Caligula” é animalesca, parece um trem desgovernado, pronto para passar por cima de você, isso sem falar no refrão pegajoso e interessante, diferente do esperado – lembrou um pouco do Soulfly atual. “Who Is God?” também abusa da velocidade e de um refrão levemente diferente, flertando com o som do Overkill. Achei legal que misturaram bem o Thrash alemão característico, com o Thrash americano, dando uma cara diferente ao som do Sodom. Conseguiram trazer as referências dos primórdios do estilo, com uma roupagem mais atual. É preciso reverenciar a qualidade de gravação e produção desse disco, está impressionante o som que sai dos fones, tudo muito bem mixado. É um clássico do estilo? Não, não é. Mas garante bons momentos de diversão e de headbanging! Uma ótima adição em sua discografia e na coleção dos amantes do Thrash Metal!


Contato: https://www.facebook.com/sodomized
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domingo, 1 de janeiro de 2017

Review: Sonata Arctica – The Ninth Hour


Por Pedro Humangous

O Sonata Arctica passou pelo fenômeno de grande banda que deu suas “deslizadas”, perdendo sua base antiga de fãs e conquistando novos. O grupo teve mudanças consideráveis em sua formação, fato que evidentemente alterou sua forma de compor. Com o tempo foi se distanciando de suas raízes, soando cada vez mais polido, mais sério e maduro. O Power Metal veloz e melódico de outrora deu lugar a um som mais simples e direto, flertando com o AOR, o Prog e até mesmo o Pop. Teve gente que gostou, teve gente que odiou. Eu mesmo adorava a banda no começo da carreira e a partir do “Unia” (2007), parei de acompanha-los. Em “Pariah’s Child” (2014) tentaram resgatar sua sonoridade mais antiga, porém, não tiveram tanto sucesso como esperado. O que deveríamos então esperar desse novo trabalho “The Ninth Hour”? Infelizmente, nada mudou drasticamente. Continuam fazendo um mix de seus trabalhos mais recentes, com composições “comportadinhas” demais, naquele mid-tempo, com uma notória ausência de agressividade no som, parece aquele time de estrelas que entra em campo fazendo corpo mole, dispostos a empatar o jogo. Então o disco é uma completa porcaria? Obviamente que não, existem bons momentos. Não é porque o Sonata não soa mais como o Sonata que gostaríamos de ouvir, que faz com que o álbum seja ruim. Apenas não é tão sensacional como poderia ser. A maravilhosa capa já faz com que esse trabalho ganhe pontos extras – belíssima direção de arte, fotografias, lindo encarte, tudo embalado em um luxuoso digipack. As duas primeiras faixas ganharam vídeo e foram divulgados pela Nuclear Blast, além de “We Are What We Are”, uma balada bonitinha, mas sem sal. Talvez “Life” tenha sido a melhorzinha dentre as escolhidas, só não digeri muito bem o refrão "La la la laaaa lala lala la la la!". “Fairytale” deu uma bela melhorada na audição, uma música mais pra cima, animada e mais veloz, com um timbre interessante das guitarras, lembrando um pouco do que o Almah vem fazendo. O disco segue intercalando faixas velozes (e boas) com outras lentas (e melancólicas), fazendo com que a audição seja bem balanceada. O finalzinho do álbum é de dar sono e o cover de “Run To You” do Bryan Adams ficou perdido ali, sem muita necessidade. “The Ninth Hour” se mostra um disco repleto de altos e baixos, mostra uma banda ainda confusa sobre sua verdadeira identidade musical, misturando de tudo um pouco que sua carreira já apresentou. Espero que o Sonata Arctica finalmente encontre seu caminho e possa dar firmes passos para continuarem, seja lá qual for o estilo que decidam seguir.


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Review: Morning Dwell – The Guardians Of Time


Por Pedro Humangous

Apesar de basicamente ter visto a criação da internet, ainda me surpreendo muito com sua capacidade, seus desdobramentos. O Melodic /Power Metal foi minha porta de entrada para o mundo do Metal e, apesar do estilo ter tido uma queda na sua popularidade, ainda continuo gostando bastante, acompanhando novas e antigas bandas. No Youtube, sigo um canal interessantíssimo chamado “Unknown Power Metal Yt”, onde indicam bandas desse estilo, dos mais variados países. Eis então que navegando por vídeos aleatórios, esse canal me recomenda o Morning Dwell. Confesso, nunca tinha ouvido falar dos caras. Ao bater os olhos nessa linda arte que ilustra a capa (feita por Andreas Marshall) resolvi dar uma chance e cliquei para ouvir. Me lembro bem da música sugerida, “At The End Of The Universe”, faixa que abre o disco. A introdução lembrava algo de Avantasia, com teclados criando um clima épico, emendando então em guitarras velozes no melhor estilo Dragonforce de ser. Quando entraram os vocais, logo me veio à mente a banda brasileira Lothloryen com uma mistura de Power Quest e Gloryhammer. Acho que deu pra vocês sacarem o estilão dos caras, certo? Para amantes do bom e velho Epic Power Metal, feito à moda antiga, “The Guardians Of Time” é um prato cheio, um álbum repleto de surpresas, com todos os clichês que adoramos. O disco transborda refrãos em coro, bumbo duplo pra todo lado, guitarras velozes, sintetizadores melódicos, enfim, tudo o que a cartilha manda. Apesar dos vocais não serem tão potentes e a mixagem ter deixado os instrumentos um pouco mais altos do que as vozes, esse trabalho é muito bem composto, bem gravado e principalmente bem divertido. Definitivamente há algo nas águas da Suécia, pois as bandas que nascem lá são sempre incríveis! O Morning Dwell merece sua atenção, procure ouvir esse trabalho, seja pelo CD original, pelo Youtube ou mesmo pelo Spotify, só não deixe de conferir!


Contato: https://www.facebook.com/MorningDwell/

terça-feira, 1 de novembro de 2016

Optical Faze: Novo álbum a caminho!



É chegada a hora! Após 4 anos de silêncio, é o momento de um novo opus! Com o bem-sucedido lançamento de “The Pendulum Burns” e a ótima recepção da mídia especializada, a base de fãs do Optical Faze não parou de crescer desde então. Depois de explorar o Brasil através de grandes shows, é hora de descer do palco e entrar em estúdio. A parte mais legal disso tudo é que você pode fazer parte desse novo e grandioso projeto chamado "Unconquered Self", o novo álbum da banda, previsto para 2017.

O grupo está lançando um crowdfunding para arrecadar a verba de toda essa produção do disco e sua ajuda será de extrema importância! Agora é tudo ou nada! A ação já conta com profissionais renomados para a gravação das novas composições, um incrível artista gráfico, ações beneficentes e, é claro, prêmios aos participantes!

Conheça tudo sobre o projeto e participe desse momento histórico para a banda, construindo mais um pedaço desse gigante que é o Metal Nacional!

Acesse: https://www.kickante.com.br/campanhas/optical-faze-unconquered-self

domingo, 30 de outubro de 2016

Review: Perc3ption - Once And For All


Por Pedro Humangous


Mesmo com todas as adversidades, rochas no caminho, o Metal brasileiro felizmente insiste em permanecer vivo, lutando pela vida. A banda paulista Perc3ption é um desses representantes do que de melhor temos no cenário nacional. Após o bom “Reason And Faith”, lançado há três anos, a banda retorna renovada e com um novo trabalho no mercado, estamos falando de “Once And For All”. Logo de cara, gostei muito da escolha das cores escolhidas para a arte da capa, tons de branco e azul, bem diferentes do comum – méritos para o baixista Wellington Consoli. Assim como o disco anterior, a banda resolveu contar com a ajuda de Edu Falaschi, que aqui atuou na pré-produção (a produção final ficou a cargo do próprio guitarrista da banda, Glauco Barros). Dois fatores que me chamaram bastante a atenção foram a excelente qualidade da gravação e as orquestrações usadas. O som está cristalino, potente e com todos os instrumentos muito bem timbrados, bem mixados. Os teclados são usados de forma inteligente e sutis, mas fazem toda a diferença. Outro ponto positivo são as linhas de baixo, fugindo do ponto comum e estalando alto na gravação, deixando o som ainda mais impactante. As guitarras ditam o ritmo do álbum e estão com o peso na medida certa, abusando de técnica e feeling, sem esquecer o senso melódico que o estilo pede. Aliás, o estilo escolhido aqui foi super acertado, uma mistura saudável de Melodic/Power/Heavy/Prog, lembrando bandas como Evergrey, Almah, Mob Rules e um pouco de Orden Ogan. As composições soam maduras, viciantes e bem construídas, segundo a segundo, com refrões grudentos – parece mesmo como uma banda veterana e internacional. Um trabalho atual, cheio de personalidade, unindo o peso e a melodia de forma ímpar, cativando o ouvinte do começo ao fim! Não deixe de ouvir, essa pode ser sua nova banda brasileira favorita!


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Review: Hard:On - Hard:On


Por Pedro Humangous


Estilo pouco explorado por bandas brasileiras, o Hard Rock mais voltado pro Glam (vulgarmente chamado de Metal Farofa), possui uma base fiel de fãs mundo afora. E a verdade é que ele diverte mesmo, um som empolgante, de fácil acesso e sem muita firula, as bandas que seguiram essa fórmula obtiveram muito sucesso na década de oitenta. Agora, quase quarenta anos depois, estamos revivendo essa fase glamorosa, com bandas resgatando a sonoridade pervertida e divertida, trazendo o cheiro de bebidas alcóolicas, gasolina e mulheres! A banda Hard:On manda muito bem no som que fazem, tudo bem composto, bem encaixadinho e devem tocar o terror ao vivo. A gravação aqui não ajudou muito, pois ficou um pouco abafada, enterrando as guitarras, dando uma pequena embolada nos demais instrumentos – mas calma, isso não tirou o brilho das músicas. Outro ponto que poderiam ter dado mais atenção foi a parte gráfica, a capa e o encarte são muito simplórios – hoje em dia, com tanta banda no mercado brigando pela atenção do ouvinte, esses são pontos essenciais. No mais, todas as músicas são boas, velozes, ótimas para colocar no carro e pegar a estrada ou animar uma noite agitada e cheia de bebida. Com um belo mix de Hard/Glam/AOR, o grupo transita entre um Guns e Motley Crue, com bastante personalidade e energia própria. Melhorando os pontos supracitados, a banda tem grandes chances de alcançar um público maior e se tornar referência no estilo. Por enquanto, um bom e divertido trabalho!


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domingo, 16 de outubro de 2016

Review: Soilwork - Death Resonance


Por Pedro Humangous

A máquina sueca chamada Soilwork simplesmente não fica parada! Após o bem sucedido “The Ride Majestic”, lançado no começo desse ano, temos mais um belíssimo produto em mãos, “Death Resonance”. E se você leitor ficou tão confuso quanto eu, se perguntando: “ué, mais um álbum tão cedo”? Pois trago-lhes a resposta caros amigos, trata-se de uma coleção especial de raridades, material nunca lançado antes, além de duas novas composições! Apesar de parecer o bom e velho caça níqueis para fãs, confesso que gostei muito dessa ideia dos caras, lançar todas as faixas extras e exclusivas que saíram em outros lançamentos (principalmente no Japão) e juntar tudo em um disco, foi uma bela sacada. Basicamente temos material dos discos lançados de 2005 pra cá, incluindo faixas dos álbuns “The Ride Majestic”, “The Panic Broadcast”, “Sworn To A Great Divide”, “Stabbing The Drama” e do EP “Beyond The Infinite”. As duas primeiras faixas são novas composições, “Helsinki” é simplesmente fantástica, com um riff viciante, algumas camadas discretas de teclado, uma bateria veloz e um vocal absurdo! As partes mais extremas lembraram bastante as coisas mais novas do Devildriver, mas quando entra o refrão limpo e os solos melódicos, sabemos bem que se trata do Soilwork. “Death Resonance”, segunda faixa, mostra que a fase atual da banda está incrível, o talento e a competência em criar músicas marcantes estão em seu auge – abusaram inclusive em uma passagem mais lenta e atmosférica, lembrando os trabalhos atuais do Opeth (sim, podem acreditar!). Diferentemente dos seus conterrâneos do In Flames, que vem soando cada vez mais estranhos e com músicas mais leves, o Soilwork mete o pé no acelerador, injetando sempre mais agressividade. Se você pensou que as faixas bônus dos discos servem como “encheção de linguiça”, se enganou. Estamos diante de músicas excelentes, melhores que muitas que estiveram presentes no track list oficial dos discos lançados. Precisamos falar do EP “Beyond The Infinite”, lançado em 2014 e que infelizmente nunca chegou no Brasil. São cinco das melhores músicas já compostas pela banda, um som cativante, impactante e ultra bem balanceado! Fiquei feliz de terem colocado esse material aqui. Isso aqui é material para colecionador, para qualquer amante do Melodic Death Metal e, obviamente, indispensável para qualquer fã do Soilwork!



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Track list:
01. Helsinki (new song)
02. Death Resonance (new song)
03. The End Begins Below The Surface ("The Ride Majestic" Japan bonus track)
04. My Nerves, Your Everyday Tool ("Beyond The Inifite" Japan-only EP)
05. These Absent Eyes ("Beyond The Inifite" Japan-only EP)
06. Resisting The Current ("Beyond The Inifite" Japan-only EP)
07. When Sound Collides ("Beyond The Inifite" Japan-only EP)
08. Forever Lost In Vain ("Beyond The Inifite" Japan-only EP)
09. Sweet Demise ("The Panic Broadcast" Japan bonus track)
10. Sadistic Lullabye (re-recorded, "The Panic Broadcast" Japan bonus track)
11. Overclocked (2016 mix, "Sworn A Great Divide" Japan bonus track)
12. Martyr (2016 mix, "Sworn A Great Divide" Japan bonus track)
13. Sovereign (2016 mix, "Sworn A Great Divide" Japan bonus track)
14. Wherever Thorns May Grow (2016 mix, "Stabbing The Drama" Japan bonus track)
15. Killed By Ignition (2016 mix, "Stabbing The Drama" Japan bonus track) 

Review: Sinsaenum - Echoes Of The Tortured


Por Pedro Humangous

Após o surgimento e consolidação da internet, uma enxurrada de novas bandas surgiu. Com isso, tornou-se cada vez mais difícil ganhar destaque e relevância com tantas bandas fazendo simplesmente “mais do mesmo”. O Sinsaenum surgiu simplesmente “do nada” e conseguiu ser diferente de tudo o que esperávamos. Vamos começar pela inusitada união de Frédéric Leclercq (baixista do Dragonforce) e de Joey Jordison (ex-baterista do Slipknot), o que poderíamos esperar desses dois caras tocando juntos? A dupla resolveu chamar ainda Attila Csihar (Mayhem) e Sean Zatorsky (Daath) para os vocais, Stéphane Buriez (Loudblast) para as guitarras e Heimoth (Seth) para o baixo. E nesse caldeirão de influências temos um dos melhores discos de Metal Extremo dos últimos anos! Apesar de não soar nada inovador, a banda conseguiu trazer sangue novo para o estilo, dando uma repaginada no Death Metal (fio condutor do som praticado pela banda), inserindo uns toques de Black Metal muito bem vindos. A variação entre os dois vocalistas deu uma dinâmica bem legal às músicas, prendendo a atenção do ouvinte, apesar de ambos serem extremos e violentos, é possível notar com clareza quando cada um canta. As guitarras estão absurdamente insanas, criativas, afiadas e abusando dos duelos, das guitarras gêmeas, da sujeira e da beleza melódica. Parece que a saída do Slipknot fez muito bem ao Joey, pois ele está fazendo um som incrível, abusando de sua técnica e encaixando muito bem seu estilo nessas composições mais velozes e mais extremas – parece que finalmente se encontrou. Ao olhar o track list, estranhei quando vi que existiam 21 músicas. Metade delas são vinhetas e passagens de transição entre uma música e outra, o que deixou tudo ainda mais interessante e interligado, achei fantástico. Não tenho dúvidas da minha faixa preferida, “Final Curse” é de tirar o fôlego, viciante, frenética e com guitarras belíssimas! Gostei bastante da arte da capa feita por Costin Chioreanu (já trabalhou com bandas como Grave, Krow, Arch Enemy, Arcturus, Sigh), remetendo às clássicas bandas de Death Metal dos anos 90. A participação de Schimer (Destruction) na faixa “Army Of Chaos” e a mixagem e masterização por Jens Bogren, são a cereja do bolo, o toque de mestre que faltava para finalizar essa obra de arte. “Echoes Of The Tortured” é surpreendente em todos os sentidos, uma das melhores coisas que ouvi dentro do Metal nos últimos anos!


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domingo, 9 de outubro de 2016

Review: Equilibrium – Armageddon


Por Pedro Humangous


Dificilmente você irá encontrar alguém que escute Metal e não goste de Folk. É sempre um som pra cima, animado, empolgante e de certa forma revigorante. Quem consegue ouvir um disco desses e não ter vontade de sair de casa vestido de Bardo, com um machado nas mãos, em direção à floresta e desbravar territórios inexplorados? O Equilibrium é uma das bandas de Folk Metal que mais vem se destacando nos últimos anos, desenvolvendo seu som álbum após álbum, ganhando reconhecimento mundial – prova disso é vermos esse novo trabalho sendo lançado em terras tupiniquins. “Armageddon” é o quinto álbum do grupo alemão, mas pra quem ainda está um pouco perdido e nunca ouviu falar da banda, tente imaginar algo na linha do Ensiferum, Eluveitie e Fintroll. A belíssima arte da capa já me conquistou logo de cara, trazendo ansiedade em ouvir o que eles trariam de novidade nesse novo disco. E realmente eles nos surpreenderam, trouxeram uma roupagem mais “dark”, mais introspectiva – apesar de todo o clima alegre que os instrumentos propõem. Além de cantarem várias músicas em seu idioma natal, o alemão, resolveram experimentar algumas canções em inglês – e funcionaram muito bem! Os vocais guturais contrastam muito bem com o instrumental melódico e sinfônico, lembrando algumas coisas do que o Children Of Bodom costuma fazer. As faixas são, em sua maioria, menos aceleradas, prezando pelos momentos mais marcantes, focando bastante na temática e nas letras. Os teclados assumem um papel importante nas músicas, quase que ditando o ritmo do álbum, abusando de passagens orquestrais e também eletrônicas - gostei muito do que fizeram em “Born To Be Epic” e principalmente em “Helden”, parecendo trilha sonora de games antigos (Master System, Megadrive, SNES). “Armageddon” se mostra uma belíssima adição na discografia do Equilibrium, um álbum maduro, divertido de ouvir do começo ao fim!


Track List:
1. Sehnsucht 
2. Erwachen 
3. Katharsis 
4. Heimat 
5. Born to Be Epic 
6. Zum Horizont 
7. Rise Again 
8. Prey 
9. Helden 
10. Koyaaniskatsi 
11. Eternal Destination

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Review: Carnifex – Slow Death


Por Pedro Humangous


Quanta alegria irmãos! Sim, temos o lançamento de um disco do Carnifex no Brasil! “Slow Death” é o sexto álbum da banda americana formada por Scott Ian Lewis (vocais), Shawn Cameron (bateria), Jordan Lockrey (guitarras), Cory Arford (guitarras) e Fred Calderon (baixo). O estilo Deathcore assolou o mundo inteiro, se espalhando feito uma doença contagiosa – e realmente contagiou uma pancada de fãs em pouco tempo. Assim como toda nova moda, surgiram inúmeras bandas praticando o mesmo estilo, lançando trabalhos medianos, fazendo com que o público mais purista se afastasse dessas bandas no geral. O que realmente importa é que surgiram grandes nomes desse segmento, muitas sumiram pelo caminho, deixando somente as mais fortes ainda vivas e gerando bons frutos – o Carnifex é uma delas. E como está esse novo disco? Está bastante evoluído, diversificado, mais maduro e cheio de novidades – sonoramente falando. A banda resolveu deixar aquele Deathcore, digamos, tradicional e resolveu investir em outras ramificações do Metal, agregando novos elementos que deram mais personalidade ao seu som. Temos aqui características do Brutal, Death e Symphonic Black Metal, tudo envolto em uma camada espessa de melodia, com fortes traços de sintetizadores e orquestrações – ambientando o clima infernal das composições. Resumindo, o álbum está um arregaço! Tá extremamente pesado, maléfico, técnico, melódico, bem gravado, bem mixado e viciante! As guitarras devem pesar uma tonelada, afinações baixíssimas, aliadas ao baixo encorpado e a nervosa bateria. Aliás, precisamos falar dessas linhas de bateria. Um dos grandes destaques desse álbum são as linhas inteligentes de batera, sempre bem encaixadas, criativas, repletas de bumbo duplo, pratos pra todo lado e viradas de tirar o fôlego! Não nos esqueçamos dos tradicionalíssimos breakdowns, presentes aqui e ali, surpreendendo sempre o ouvinte. Destaco as faixas “Drown Me In Blood” e “Six Feet Closer To Hell” que lembraram bastante a insanidade dos discos mais recentes do Anaal Nathrakh. Talvez essas mudanças todas na sonoridade da banda afastem um pouco a base de fãs das antigas, mas certamente irá abrir novas portas e conquistarem uma legião de novos seguidores! O melhor trabalho da banda até o momento!

Track List:
1. Dark Heart Ceremony 
2. Slow Death 
3. Drown Me In Blood 
4. Pale Ghost 
5. Black Candles Burning 
6. Six Feet Closer To Hell 
7. Necrotoxic 
8. Life Fades To A Funeral 
9. Countess Of The Crescent Moon 
10. Servants To The Horde



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