domingo, 7 de janeiro de 2018

Review: Cradle Of Filth - Cryptoriana – The Seductiveness Of Decay


Por Pedro Humangous

Se tem um disco que ouvi exaustivamente em 2017, esse foi o “Cryptoriana – The Seductiveness Of Decay”. Aliás, ele está na minha lista dos dez melhores lançamentos do ano passado! O Cradle Of Filth vem em um processo lento de transição na sua sonoridade, se afastando cada vez mais do Black Metal do início da carreira e se transformando em algo mais dark, sinfônico e principalmente melódico – mais ou menos o que aconteceu com o Therion e com o Dimmu Borgir, por exemplo. Essa mudança não foi do dia para a noite, foi feita com calma, de forma pensada e transitória ao longo dos anos. Com isso, acredito que não tenham perdido sua base de fãs e ainda conquistaram novos adeptos – afinal o som ficou bem mais acessível. Nesse mais recente trabalho, a banda soa rejuvenescida, mesclando bem alguns itens dos primeiros álbuns e abusando da melodia, orquestrações e camadas de vozes. As guitarras estão estupendamente lindas, duplicadas de forma incrível na mixagem, você ouve com extrema clareza o que cada uma faz (principalmente com bons fones de ouvido, cada uma delas está separada em um ouvido, muito legal!). O clima soturno e teatral em cada música deixa tudo ainda mais majestoso e grandioso. Os vocais esdrúxulos de Dani Filth estão ainda melhores, acho que ele encontrou o balanço perfeito entre sua voz limpa e seus urros característicos, trabalhando sempre a favor da composição. A bateria e o baixo estão na medida certa, sem brigar muito com os demais instrumentos e funcionam super bem quando acompanhados dos lindos teclados e das vozes femininas. Após uma bela intro, o bixo pega em “Heartbreak And Seance”, extremamente viciante, e emenda com a fantástica “Achingly Beautiful”, uma trinca de tirar o fôlego. “Wester Vespertine”, mesmo com seus mais de sete minutos, não cansa, pelo contrário, encanta conforme prossegue, se utilizando de algumas coisas de Metal Tradicional e até Death Melódico – definitivamente um dos pontos altos do álbum. E o que dizer de “The Seductiveness Of Decay” que insere umas guitarras gêmeas no melhor estilo Iron Maiden e do nada encaixa um Thrash Metal no meio? Não vou nem falar do solo pra não perder a graça! Surpreendente demais! O disco segue de forma homogênea, entregando uma faixa mais matadora que a outra. Só achei a duração no geral longa demais, com apenas dez faixas, o álbum passa de uma hora – isso se contarmos as duas faixas bônus, a última inclusive, um cover insano de “Alison Hell” do Annihilator. A arte da capa, apesar de ser meio “manjada”, é muito bonita e segue a linha que a banda vem seguindo em seus discos. Sério, essa obra está bonita demais, muito bom gosto em cada detalhe, a cada nova faixa que surge o sorriso aumenta e ao fim da audição do trabalho, lá está você, embasbacado e pronto para apertar o play novamente!


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Review: Belphegor – Totenritual


Por Pedro Humangous

Acompanho o trabalho dos austríacos do Belphegor desde “Walpurgis Rites” – lembro que a fase mais antiga deles era “Black Metal demais” pra mim e esse “Walpurgis” estava mais acessível, mais melódico. Depois viciei no “Blood Magick Necromance”, apesar do som caótico, as composições eram fantásticas. “Conjuring The Dead” veio na sequência, mesclando muito bem o Black e o Death Metal, mas ainda as músicas soavam confusas. Agora, em “Totenritual”, finalmente acertaram a mão na mixagem e na escolha dos timbres (méritos para o excelente Jason Suecof). Aparentemente desceram o tom das guitarras, ficando mais graves, mais modernas e mais soturnas. Os vocais estão mais fechados, mais cavernosos e combinam mais com a proposta sonora atual da banda. Após onze discos lançados, parece que enfim encontraram o equilíbrio e a perfeição no som que tanto buscavam. Talvez aqui suas raízes Black estejam mais presentes e a melodia de outrora menos evidente. Houve um balanço maior também entre os momentos mais cadenciados e a velocidade da luz trazendo os ventos gélidos da atmosfera do Metal Negro. Em alguns momentos as músicas soam como um mix entre o Nile e o Behemoth, com pinceladas de Deicide. O disco começa bem, bastante agressivo e vai crescendo ao longo da audição, cada música tem seu diferencial, soando como um grande quebra cabeças onde as peças vão se encaixando para formar o “Totenritual”. A banda escolheu mais uma vez o artista gráfico Seth Siro Anton para ilustrar a capa e todo o conceito visual desse álbum e, convenhamos, ficou fantástico! É legal ver que o Belphegor não descansa, não se acomoda e está sempre em busca de se inovar, experimentar coisas novas. Gostei muito da produção mais balanceada e mais moderna, das guitarras em baixa afinação e dos novos estilos vocais. Senti falta das grandes e marcantes melodias usadas nos discos anteriores. De um modo geral, a banda da um passo firme a frente e se solidifica como um dos expoentes quando o assunto é Blackened Death Metal.


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segunda-feira, 25 de dezembro de 2017

Review: Grey Wolf - The Beginning – Early Years Anthology


Por Pedro Humangous


Formado em Contagem/MG no ano de 2012, a banda Grey Wolf é capitaneada pelo multi-instrumentista Fabio Paulinelli. De lá pra cá, o grupo se manteve firme na ativa, lançando material novo todos os anos. Resenhei o ótimo “Glorious Death” aqui mesmo na Hell Divine no ano passado (você pode conferir aqui). Agora em 2017 lançaram uma antologia resgatando as demos do inicio da carreira, além de duas faixas novas e cinco gravadas ao vivo. A parte gráfica já impressiona bastante, com uma belíssima arte para a capa, o encarte acompanha em ordem cronológica mostrando cada Demo lançada e suas respectivas músicas aqui presentes. Uma coisa que notei foi uma incrível variação entre capas toscas e capas lindíssimas. Outra variação bastante nítida é na qualidade das gravações – mas é claro, por se tratarem de versões demo, esse é o charme da coisa. Essa espécie de coletânea está muito bem organizada, fazendo a alegria dos antigos fãs e principalmente aos saudosistas do som oitentista, a vibe aqui é inegável. A faixa de abertura, “The Beginning”, é maravilhosa, com guitarras gêmeas e um baixo marcante, bem no estilão Iron Maiden! Os gritos de guerra lembram um pouco Manowar e Grave Digger, mas com muita personalidade, sem parecer uma cópia de nenhum deles. As músicas demo são muito boas, extremamente viciantes e mereciam ser regravadas. As faixas ao vivo infelizmente não ficaram boas, a captação deixou as guitarras altas demais e os vocais abafados – nota-se que não são gravações profissionais. Mesmo assim valem como registro. “Defenders Of Steel”, a última no track list, ficou deslocada no final do disco, deveria ter sido colocada no início. Talvez quisessem fechar o álbum com uma música marcante e de alto nível – e conseguiram! De qualquer forma esse é um material riquíssimo e divertido de ouvir, recomendo aos amantes do bom e velho Metal Tradicional com aquela pegada dos anos 80!


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domingo, 10 de dezembro de 2017

Review: Decapitated- Anticult


Por Pedro Humangous

Não entrarei no mérito da confusão em que o Decapitated está metido fora dos palcos. Irei concentrar apenas na música e no seu mais recente álbum, “Anticult”. Analisando a discografia desses poloneses, notamos com clareza a evolução na forma de compor, nas doses cada vez maiores de modernidade em seu som. E não estamos falando de modernizar a forma de gravar, mas sim na maneira como estruturaram a sonoridade desejada pela banda. O Death Metal característico continua aqui, mas o timbre das guitarras já é bem diferente de outrora, aqui ganharam mais corpo, aquele toque inconfundível do Djent. Inseriram sintetizadores, colocaram algumas essências do Deathcore, riffs quase Melodic Death Metal (“Death Valuation” soa quase como um Soilwork). Temos ainda bastante Groove, Tech e Thrash Metal despejado ao longo das faixas. A qualidade de gravação está estupenda! Tá tudo muito bem timbrado, cada instrumento bem audível na mixagem, um punch animal do baixo com a bateria, vocais insanos! Gostei da maturidade apresentada aqui, o ataque impiedoso dos blastbeats, algo meio Prog jogado no meio, isso sem falar na atmosfera que criaram em cada música. Para o som que faziam antes, existiam dezenas de bandas que faziam algo igual e, sinceramente, até melhor do que eles. Eu confesso que não dava muita bola para os discos lançados antes de “Anticult”. Passava o ouvido uma ou duas vezes e deixava de lado. Agora, com essa nova roupagem, o Decapitated subiu diversos níveis e ganha novas características, novos fãs e briga por outros espaços antes estagnados. Esse novo álbum está viciante, com guitarras inteligentes, solos incríveis e refrãos marcantes, fazendo com que você queira ouvir mais e mais. Não é a toa que estão em várias listas dos melhores do ano pelo mundo afora! Mais que merecido!



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Through The Skies - Chapter One: The Awakening



Formado atualmente por  Fernando Nemes (vocal), Lucas de Oliveira e Herbertt (guitarras / vocais), Rafael Souza (baixo) e André Ataíde (bateria, Imminet Attack, ex-Eternal Malediction) a banda Through The Skies acaba de soltar seu primeiro EP, intitulado "Chapter One: The Awakening".Fazendo uma rápida análise da parte estética e visual, a capa é simples, porém bonita, gostei também do logotipo. O EP vem em uma embalagem simples, envelope de papelão. Mas só de terem lançado isso de forma física já é louvável. A proposta aqui é focada no Metalcore, com pitadas de Death, com bastante Groove e Core pra todo lado. A gravação está boa, mas pode dar uma leve melhorada nos próximos lançamentos. O vocal limpo não é ruim, mas merece uma atenção maior. Se investirem em uma boa produção, num bom artista gráfico e focarem em divulgação, acredito que o Through The Skies tenha grandes chances de se tornar um dos maiores nomes do estilo no Brasil!




Contato: https://www.facebook.com/throughtheskiesoficial/

Hora da leitura: João Gordo – Viva La Vida Tosca


Por Pedro Humangous

Eu adoro ler. Mas esse não foi um hábito que tive desde criança, fui adquirindo conforme fui crescendo e amadurecendo na vida. Tenho muitos livros e histórias em quadrinho, o duro mesmo (hoje em dia) é arrumar tempo para dedicar à leitura. Confesso, leio devagar. Estou com essa biografia do João Gordo há meses na minha cabeceira, levo pra todo lugar comigo e finalmente consegui terminar! 

Acho difícil alguém no Brasil nunca ter ouvido falar do João Gordo ou do Ratos de Porão. Você pode até não gostar de um ou do outro, mas não conhecer é bastante improvável. 


A leitura flui com naturalidade, numa linguagem fácil e muito próxima da que usamos no dia a dia. É fácil se conectar e se sentir rapidamente um amigo do Gordo. Narrada por ele mesmo, o livro conta sua história de vida, desde criança até os dias de fama. Foi muito legal acompanhar essa trajetória, sua adolescência conturbada, as brigas com o pai, o surgimento do movimento Punk no Brasil, o surgimento do Ratos de Porão, o abuso das drogas, o nascimento dos filhos, etc. Sua vida é literalmente exposta aqui, recheada de detalhes, histórias tensas e engraçadas, definitivamente uma biografia divertida de ler. O livro, lançado pela Darkside Books, vem em capa dura aveludada, com papel de altíssima qualidade, repleto de fotos que ilustram cada momento vivido por João. Após ler esse livro, passamos a entender melhor esse ídolo mundial, compreender suas escolhas e apreciar ainda mais o artista que é. Tudo faz mais sentido após Viva La Vida Tosca. Escrito por André Barcinski, o material contém 320 páginas e está disponível nas principais livrarias do país. Em um ótimo momento da literatura, onde surge uma nova biografia por mês, recomendo muito essa!





sexta-feira, 8 de dezembro de 2017

Hell Divine: Os melhores de 2017


Top 10 (em ordem alfabética):
Aeternam - Ruins of Empires
Archspire – Relentless Mutation
Cradle of Filth - Cryptoriana
Dark Avenger – The Beloved Bones: Hell
Igorrr – Savage Sinusoid          
Kreator – Gods of Violence
The Faceless - In Becoming A Ghost
Trivium – The Sin And The Sentence
Sikth – The Future In Those Eyes
Wael Daou – Sand Crusader

Menções honrosas:
Aversions Crown - Xenocide
Enfold Darkness - Adversary Omnipotent
Mastodon – Emperor Of Sand
Moonspell – 1755
Persefone - Aathma
Project 46 - Tr3s
Rings of Saturn - Ultu Ulla
Septicflesh - Codex Omega
Shadow Of Intent - Reclaimer
The Black Dahlia Murder - Nightbringers
Wintersun - The Forest Seasons
Witherfall – Nocturnes And Requiems
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Melhor capa: Annihilator – For The Demented


Melhor ao vivo: Blind Guardian - Live Beyond The Spheres


Melhor coletânea: Edguy - Monuments


Melhor regravação: Rhapsody Of Fire – Legendary Years


Melhor DVD: Dimmu Borgir - Forces Of The Northern Night


Revelação: Progenie Terrestra Pura - Oltre Luna


Esperava mais: Arch Enemy - apesar de excelentes riffs e músicas marcantes, ficou abaixo do esperado quando se tem Michael Amott e Jeff Loomis.

Esperava menos: Sepultura - depois de discos mornos, gostei bastante do direcionamento que deram em Machine Messiah.

Melhor notícia do ano: retorno do Nocturnal Rites.

O que gostaria pra 2018:
Novo álbum do Bittencourt Project
Novo álbum do Demons & Wizards
Novo álbum ou DVD do King Diamond
Novo álbum do Domine

terça-feira, 5 de dezembro de 2017

Optical Faze: lançamento do seu novo videoclipe, “Ghost Planet”!


Um mix de emoções marca o lançamento do videoclipe da música “Ghost Planet” da banda Optical Faze. Ao mesmo tempo que comemora com alegria mais uma conquista com esse material inédito, a banda se apresentará pela última vez após uma carreira de 18 anos dedicados ao Metal. Esse momento único e marcante será celebrado na segunda edição do Ferroada Fest, que acontecerá no dia 17 de dezembro em Brasília – evento que tem o apoio do FAC (Fundo de Apoio à Cultura da Secretaria de Cultura do Distrito Federal). 

Fechando o lineup estarão outras três bandas do DF: Isaurian com seu Doom pesado e arrastado, Fleshpyre com toda a brutalidade do Death Metal e Toro, um expoente do Stoner da capital federal! Os portões abrem 17h e os shows começam às 18h. 

Compareçam, será uma grande celebração da amizade e do amor ao Metal! 

Local: 
Espaço Cultural Canteiro Central SCS Quadra 3 bloco A Lote 210 - Ed. Paranoá, Brasília

Ingresso: R$ 20,00

Contatos: 
Site: www.opticalfaze.com.br
Facebook: https://www.facebook.com/OpticalFazeOfficial
Twitter: @opticalfaze
Email: contato@opticalfaze.com.br

segunda-feira, 27 de novembro de 2017

Review: Sioux 66 – Caos


Por Pedro Humangous

Já tinha ouvido falar da banda Sioux 66, só não tinha conseguido parar para ouvi-los com a devida atenção. Afinal, Black Metal e Hard Rock não são minha especialidades e acabam perdendo a preferência nas minhas playlists diárias. Logo de cara temos um lindo digipack, contendo uma verdadeira obra de arte ilustrando a capa – estamos falando da obra “Custer’s Last Stand” do pintor Edgar Samuel Paxson, de 1899. Notei também que o disco foi lançado pela gigante Sony Music, sabemos que pra uma banda brasileira ser lançada por uma major desse porte não é pra qualquer um. Os músicos levam o negócio a sério e abusam do visual hard rocker com tudo o que têm direito, óculos escuros, chapéu, correntes, bandanas e muito couro. Falando sobre o som, a produção está fantástica, cristalina e na medida certa, balanceando bem os vocais, o baixo bastante presente, o timbre sujo das guitarras e a bateria mais seca e orgânica – aquela cara de som ao vivo. Os créditos vão para Henrique Baboom que produziu a banda com a mixagem e masterização do experiente Brendan Duffey. As composições em português ganham bastante força com letras simples, mas divertidas. A sonoridade não esconde suas influências da velha escola do Hard na linha de Bon Jovi, Guns N Roses, Motley Crue e Skid Row. As músicas são simples e diretas, mas desempenham bem seu papel, divertir a banda e seus ouvintes. Em sua maioria são composições em mid-tempo, algumas com mais peso – com riffs bem criativos e interessantes – outras são mais leves e puxadas para semi-baladas. Destaque para as faixas “O Homem Que Nunca Mudou” (com a presença de gaita e um solo bem bacana), “Minerva” (com uma pegada interessante) e “Desarmado” (um toque punk, mais agressiva e viciante). No fim, uma faixa bônus, o cover de “Calibre” do Paralamas do Sucesso, que ficou bem interessante, com uma nova roupagem. O Sioux 66 traz um respiro e um sangue novo ao Rock nacional, apostando nas melodias e na leveza do Hard Rock, atingindo um público mais amplo e revitalizando nossa geração. 



domingo, 26 de novembro de 2017

Review: Porão do Rock 2017


Local e data: Brasília, 25 de novembro
Texto e fotos: Pedro Humangous

Eu acompanho o Porão do Rock há pelo menos 10 anos, não perco nenhum e estou presente em todos, faça chuva ou faça sol – falaremos melhor sobre as questões climáticas abaixo. Graças a esse evento da capital, pude conferir grandes bandas nacionais e internacionais como Angra, Trivium, Project 46, Hibria, Cavalera Conspiracy, Soulfly, etc.

Antigamente os shows aconteciam em dois dias, existiam dois palcos do lado de fora e um palco principal dedicado ao metal dentro do Ginásio Nilson Nelson. Normalmente acontecia no meio do ano, ali em julho, agosto. De um tempo pra cá o evento passou a ter somente um dia, ter cada vez menos atrações internacionais e se mudou para a área externa do Estádio Nacional. As atrações menos Rock/Metal ganharam mais espaço e ocuparam o palco principal, atualmente dividido entre dois palcos lado a lado. Os headbangers foram empurrados para o fundão do evento, recebendo shows em um palco menor, com estrutura mais simples de som e iluminação (se comparado ao principal). Tem gente que gosta, tem gente que não.

Na edição do ano passado foi uma confusão só, várias mudanças de data, muita incerteza no ar. Agora em 2017 aconteceu de novo, programaram uma data e depois mudaram também. Fazer um evento a céu aberto, em Brasília, no mês de novembro, é ter a certeza de que teremos muita chuva. E não deu outra, ela apareceu antes, durante e depois. Para começar, houve um atraso de 1 hora na abertura dos portões, já frustrando alguns fãs que aguardavam ansiosamente para entrar. Fora o fato de que isso atrasaria os horários das bandas tocarem. Sobre a estrutura e a organização, não temos do que reclamar, estava tudo muito bem sinalizado, com segurança, sem grandes filas. O ambiente estava bem dividido, espaço bastante amplo para andar livremente. Não presenciei confusão ou brigas, o clima estava muito positivo, mesmo misturando as tribos que queriam ver a Elza Soares e as do Sepultura. A área do camarote também estava muito boa, com sofás, bar exclusivo, banheiros e uma tenda mais alta que garantia uma visão interessante dos palcos. Tinha bastante opção de comida, food trucks, mas a bebida estava bem cara no geral. O evento fluiu numa boa, acompanhei as bandas do palco Metal, com destaque para a banda Eminence que destruiu tudo no palco, surpreendendo a todos ali presentes. 



Uma das mais esperadas, obviamente, era o Sepultura, que começou sua apresentação pouco depois das 22h e fizeram um showzaço! Pra quem estava perto e de frente para o palco, o som estava cristalino, bem timbrado e com muito impacto! Os caras deram o sangue e misturaram os clássicos com as novas músicas do disco mais recente. 


Logo que o show acabou, começou uma chuva infernal, levando todo mundo para as tendas disponíveis (barracas de bebidas e área vip). A água, acompanhada de vento forte, não parava de cair, durou mais ou menos uma hora, molhando todo o palco e os equipamentos, inviabilizando a continuidade dos shows. A chuva deu uma breve parada e as pessoas voltaram a se espalhar pelo local aguardando o retorno das apresentações, mas nada acontecia. Nesse ponto a produção do evento pecou bastante, pois não se pronunciava em relação ao ocorrido, não dizia aos presentes se ainda haveria os shows ou não. Acabou que, mesmo com a chuva voltando, alguns shows dos palcos principais voltaram a acontecer, mas o Dark Avenger, Deceivers e Krisiun infelizmente não tocaram. Muita gente foi embora indignada após esperar tanto sem ter notícias e no final ficaram sem os shows.

Eu ainda acredito no potencial e no grande serviço prestado à cidade pelo Porão do Rock, mas se quiserem continuar tendo público e sendo um evento de grande porte, muita coisa precisa ser ajustada para os próximos anos. Se funcionava tão bem antes, por que não voltar a ser como era? Tragam de volta para os meses de junho/julho, voltem a dar mais destaque ao Rock e ao Heavy Metal colocando os grandes nomes no palco principal e levem o evento ao Ginásio Nilson Nelson como era feito – lá o som, a iluminação e o espaço são bem melhores.

Montar um festival desse tamanho não é fácil, sabemos disso. Temos que apoiar sempre os organizadores, mostrando os erros e apontando soluções para que nosso querido e amado Rock não morra de vez em Brasília. 


domingo, 5 de novembro de 2017

Review: Edguy – Monuments


Por Pedro Humangous

Finalmente o Brasil recebe uma das melhores coletâneas lançadas de todos os tempos! “Monuments” reúne o melhor da brilhante carreira dos alemães do Edguy, embalado em um lindíssimo digibook contendo 2 CDs e 1 DVD. Pra começar, temos essa maravilhosa arte que ilustra a capa (feita por um dos melhores artistas da atualidade, Gyula Havancsák), além de um livreto que passa por toda a história da banda, com muitas fotos e comentários. No primeiro disco temos cinco novas composições “Ravenblack”, “Wrestle The Devil”, “Open Sesame”, “Landmarks” e “The Mountaineer”. E afinal, como soam essas novas músicas? Simplesmente absurdas de boas, soando como o “velho Edguy”! Voltaram a abusar do Power Metal, trouxeram de volta a velocidade, fugindo um pouco daquele Hard sem sal que assombrava sua reputação nos últimos trabalhos. A qualidade de produção e gravação aqui está soberba, não há o que discutir, simplesmente o melhor que se pode ter na atualidade, tudo cristalino e com muito impacto/punch. Sinceramente, ver e ouvir esse material, pra mim, foi como voltar no tempo, uma sensação única e indescritível. O restante das faixas são uma coletânea que passa por toda a discografia da banda, trazendo de tudo um pouco, um best of que comemora os 25 anos de carreira. No conteúdo do DVD temos o místico registro feito em São Paulo no ano de 2004. Lembro muito bem quando gravaram esse material, mas ele nunca foi lançado, pois haviam dito que tiveram problemas com a captação de áudio e vídeo, fato que acabou inviabilizando o conteúdo – se não me engano, apenas alguns trechos foram lançados em um mini DVD na época do “Rocket Ride”, mas nunca completo. Aqui temos um showzaço, com uma produção incrível, cenário de palco de primeira e uma atuação de tirar o fôlego – com destaque para o ultra eufórico André Matos que deu as caras na música “Chalice Of Agony”. Estamos falando da época de ouro do Power Metal, uma era em que o estilo fervia! Além do show com 14 faixas, temos ainda 8 videoclipes das mais variadas fases da banda, bem legal! “Monuments” é um item histórico, de altíssima qualidade e definitivamente uma das melhores coletâneas que já vi! Obrigatório em sua coleção, vale pelas músicas novas, vale pela compilação e certamente pelo imperdível DVD. Recomendo demais!


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domingo, 22 de outubro de 2017

Review: Thy Art Is Murder – Dear Desolation


Por Pedro Humangous

Tudo o que faz sucesso demais, em um curto espaço de tempo, tende a ter dois lados de uma moeda: os adoradores e os detratores. Infelizmente é assim mesmo e, normalmente, tomamos um dos lados com certa facilidade e frequência. Em resenhas anteriores já abordei o tema “Deathcore”, seu surgimento, seu sucesso meteórico e sua decadência. Atualmente vivenciamos sua queda, sua mutação em busca de um novo reconhecimento, um respiro de ar puro nessa névoa intoxicada pela mesmice sonora de tantas bandas mundo afora. Vindo da Austrália, o Thy Art Is Murder surgiu em 2006, trazendo em sua bagagem dois EPs e três álbuns completos. “Dear Desolation” é o quarto disco em sua carreira, lançado pela Nuclear Blast em parceria com a Shinigami Records. Pra começar, já somos impactados com a belíssima arte que ilustra a capa, créditos para um dos melhores artistas da atualidade, Eliran Kantor (já trabalhou com bandas como Soulfly, Testament, Sodom, Hate Eternal, Kataklysm, entre tantas outras). Apesar da aparente simplicidade nos elementos da capa, a arte diz muita coisa e está diretamente conectada à parte lírica do álbum. Falando um pouco sobre as letras, a banda tem um lado mais negativo para abordar os temas, muito ligados à crítica contra as religiões, caos, morte, decadência do homem, etc. A sonoridade variou bastante em relação aos trabalhos anteriores, mas ainda continua com os dois pés fincados no Deathcore – o que pode ser bom para alguns e extremamente cansativo para outros. Eu dividiria esse disco em duas partes exatas, sendo as primeiras cinco faixas incrivelmente boas, variadas, agressivas e interessantes, e as cinco últimas mais chatinhas, despretensiosas e maçantes. “Slaves Beyond Death” abre o álbum em alto nível, com riffs que mais parecem uma bomba atômica, uma bateria veloz, técnica e variada, e vocais avassaladores. O som da bateria me surpreendeu bastante, muito bem captado e mixado. As vozes ganham dinâmica pela variação entre os guturais fechados, abertos, rasgados e constantemente dobrados. A mixagem e produção no geral ficaram medianas, pois deixaram o som um pouco mecânico, sem muita vida. “The Son Of Misery”, uma das melhores, lembrou uma mistura entre o som do Project 46 com algo do Behemoth mais atual. Aliás, o Thy Art Is Murder bebe nessa fonte do Black Metal mais moderno com o Groove de bandas como Lamb Of God. Os breakdowns estão espalhados por toda a parte, mas inseridos de forma inteligente, evitando fazer com que essa manjada artimanha seja usada de forma gratuita e/ou banal. A segunda metade do álbum vai perdendo um pouco da força e acaba tornado tarefa difícil acompanhar a audição sem perder o foco. As composições acabam caindo na armadilha da mesmice, soando como 99% das bandas que se arriscam por esse estilo e acabam passando despercebidas. Não é que as músicas sejam ruins, apenas estão bem abaixo do esperado ou quando comparadas à primeira metade desse mesmo disco. “Dear Desolation” é um avanço na carreira dos australianos e certamente ganha destaque em relação aos demais do mesmo estilo, mesmo não fugindo tanto dos clichês. Talvez um balanço melhor entre as faixas, uma produção mais orgânica e uma ousadia maior nas composições, possa elevar ainda mais o Thy Art Is Murder no cenário mundial. De toda forma, vale bastante a audição, recomendo!


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domingo, 15 de outubro de 2017

Review: Wintersun - The Forest Seasons


Por Pedro Humangous


Um dos projetos mais queridos dos últimos anos e um dos discos mais esperados pelos fãs, “The Forest Seasons” chega em 2017 para saciar essa sede pelo Metal de qualidade, atmosférico e épico. Pra quem anda perdido e ainda não conhece o Wintersun, a banda começou como um projeto paralelo (e solo) do finlandês Jari Mäenpää, ex-Ensiferum. O primeiro álbum, autointitulado, lançado em 2004, foi um tremendo sucesso, trazendo um Melodic Death Metal de primeira. Após uma longa espera – oito anos, pra ser mais preciso – lançaram “Time I”, já com uma leve mudança no direcionamento do som, ainda mais complexo e sinfônico. Mais cinco anos de espera e finalmente temos a oportunidade de ouvir mais uma obra desse projeto que já se tornou uma grande banda no cenário mundial. “The Forest Seasons” é ousado, com apenas quatro faixas (todas com mais de 10 minutos cada) os músicos buscam expressar as estações do ano através de suas músicas. É incrível como cada estação é muito bem representada, sonoramente falando, sendo a primeira a Primavera (“Awaken From The Dark Slumber”), mais leve e pra cima, os ritmos vão crescendo conforme o disco progride. Na sequência temos o Verão (The Forest That Weeps”), uma composição mais simples e direta, mais feliz, com vocais limpos e lindos refrãos. Em seguida vem o Outono (“Eternal Darkness”), mais sombrio e carregado de emoções, o peso e a velocidade imperam, trazendo alguns elementos do Black Metal. Interessante as camadas de vozes e teclados inseridos em todas as músicas, dando aquela sensação de grandiosidade. Fechando o trabalho temos o Inverno (“Loneliness”), assim como a estação, a música torna-se mais fria, mais melancólica, mais arrastada, puxando mais pro Doom. 


A teoria e a concepção desse álbum são sensacionais, você realmente se sente passando pelas quatro estações do ano, curtindo o disco com um pouco de cada estilo. Gostei mais da Primavera e do Outono, mais bem representados – o primeiro mais dinâmico, com solos e guitarras pesadas sem deixar de lado a tradicional melodia, o segundo mais porrada, enérgico, com bumbos duplos e vocais ensandecidos. Porém, todas possuem guitarras supersônicas, uma ambientação cuidadosa dando um clima perfeito em cada faixa apresentada. A demora em soltar cada álbum talvez seja pela necessidade do grupo em compor sempre em busca da perfeição, atentos a cada detalhe, entregando uma verdadeira obra de arte. A própria arte da capa (feita pelo experiente Gyula Havancsak) já é uma pintura belíssima e revela algumas características da música que a acompanha. Alguns pontos merecem mais atenção nos próximos discos, a bateria soa muito mecânica e seca e as faixas, por serem muito longas, acabam soando um pouco repetitivas e acabam cansando o ouvindo durante a audição do álbum por completo. Apesar de muitas gente ter falado mal desse trabalho na internet, particularmente gostei bastante e achei a altura dos discos anteriores do Wintersun. Só me deixou ainda mais curioso e ansioso para ouvir “Time II”, a tão prometida sequência! 


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