segunda-feira, 24 de junho de 2013

Cannibal Corpse: Show conturbado no Rio de Janeiro

Show: Forceps, Gangrena Gasosa e Cannibal Corpse
Data: 20/06/2013
Local: Circo Voador – Rio de Janeiro
Texto: Augusto Hunter
Fotos: Daniel Croce

Quinta feira, uma data incrivelmente perfeita pra um dia de um show único no Rio de Janeiro, já que estávamos pra ver pela primeira vez em terras cariocas a lenda do Death Metal mundial, o Cannibal Corpse. Com 25 anos de carreira, treze discos de estúdio lançados e um vasto arsenal de destruição sonora, finalmente chegaria a vez do Rio de Janeiro ver essa grande lenda.


Mas como todos sabem, há mais de uma semana o país inteiro está vivendo um momento único, manifestações por diversas causas vem explodindo em todo o Brasil e no Rio de Janeiro não está diferente. Por essa razão, essa não será uma simples cobertura de evento, mas sim um relato do que aconteceu. Então vamos a alguns fatos desse dia 20 de junho de 2013. O evento foi incrível e muito bom, o público compareceu em peso, as bandas fizeram muito mais do que simplesmente tocar e essa sexta feira foi um dia que com certeza estará marcado na história do underground carioca.

Estavam marcadas grandes manifestações no centro do Rio, o pessoal esperava conseguir a meta de um milhão de pessoas nas ruas (que infelizmente não foi atingido), mas dados oficiais contabilizaram a presença de 300.000 pessoas protestando. Em contra partida, eu e um grupo de amigos saíamos de Niterói em direção ao Circo Voador, casa incrível que fica na Lapa, clássico bairro boêmio da cidade do Rio. Ao chegarmos à cidade já podíamos ver os efeitos: bares fechados e pouquíssima gente transitando, já que as empresas liberaram seus funcionários mais cedo para ir ou pra manifestação ou mesmo pra suas residências em segurança. Então, chegamos tranquilamente no local do evento e começamos o clássico “esquenta” pré-show – com amigos vindo de outras cidades e locais da cidade – todos conversando e o clima de festa estava instaurado. Pontualmente às 20:00 hrs, as portas do Circo Voador se abriram e assim entrava em palco a primeira banda da noite, o Forceps. Com seu Death Metal brutal e bem técnico, a banda começou sua apresentação de forma magistral, mostrando entrosamento e técnica. A banda começaria a apresentação que vai render a banda um clipe, mas aí, começamos a ter uns problemas do lado de fora do Circo Voador. “Manifestantes” começaram a chegar pela Lapa naquela hora e a guerra que estava rolando longe dali começaria então a incomodar o nosso evento, e assim aconteceu, fazendo o primeiro impedimento no show do Forceps, pois o cheiro das bombas (lançadas pela polícia) de gás lacrimogêneo começou a invadir o espaço do Circo Voador. Com o show parado e o vocalista com visível dificuldade de respiração, eu mesmo peguei o microfone com ele e comecei a tentar organizar o pessoal, pois com a queimação facial, dificuldade de respirar, um certo caos estava instaurado. O show recomeçou quando a situação tinha melhorado um pouco e os caras voltaram com mais força ainda, fechando o show com muito bem.

(imagem da internet ironizando o ocorrido)

Acabando o show do Forceps, me dirijo ao telão do lado de fora da área de palco do local, o DVD “Desagradável” já estava rolando, ou seja, vamos nos preparar, pois o “Saravá Metal” do Gangrena Gasosa estava para atacar o Circo Voador com tudo e não deu outra, um tempinho depois, Zé Pilintra, Omulu e turma invadem o palco, levando o público local a insanidade extrema.  Ao ver isso, já tinha certeza do grande show que eles ali iriam apresentar, com bastante coisa legal, mas infelizmente, a covardia voltou a dar as caras. Bombas de gás lacrimogêneo continuavam a explodir e algumas foram arremessadas pra dentro da casa e tudo começou a ficar tenso demais. Uma correria aconteceu, comecei a ajudar as pessoas, levando-as para a enfermaria e o pessoal do bar do Circo Voador distribuiu vinagre para amenizar os pesados efeitos do gás. Infelizmente com duas paradas, o evento atrasou ainda mais. A banda principal estava bem e em segurança, e com isso fui conversar com os organizadores, pois chegou-se a pensar que o Cannibal Corpse não subiria ao palco.

O show ficou parado por trinta ou quarenta minutos mais ou menos e depois o Gangrena Gasosa volta ao palco, com participação de vários membros antigos da banda cantando clássicos e pra fechar, como de praxe, um banho de pipoca foi dado na galera pra finalizar aquela grande e heroica apresentação!


É chegada a hora do Cannibal Corpse subir no palco pela primeira vez no Rio de Janeiro. Com tudo mais calmo, o palco se apaga, alguns ruídos de guitarra podem ser ouvidos e sem maiores delongas, o palco fica vermelho precedendo a entrada triunfal do Cannibal Corpse abrindo com a clássica “A Skull Full Of Maggots”! Não preciso comentar que a galera foi ao delírio com uma abertura dessas e o mosh pit – que mesmo com todos os problemas já estava bom nos shows de abertura – agora ficou insano! Depois dessa, “Staring Throught The Eyes Of The Dead” já dava o tom do que seria o show, uma enxurrada de clássicos, alguns até mesmo difíceis de serem tocadas como “Addicted To Vaginal Skin”. Um show incrível da banda, que mesmo tendo quase 18 músicas em seu set list, passou muito rápido. Fechando a noite de destruição sonora, “Stripped, Raped and Strangled”.



Nada mais a falar de uma quinta feira que está marcada na história do underground carioca, tanto pelo incrível show vivenciado, como pela infeliz situação que vivemos dentro do Circo Voador. 

4 comentários:

  1. Sensacional, Augusto! Pintou bem o retrato do que foi essa noite histórica.
    As bandas nacionais representaram muito bem o nosso poder de fogo (principalmente a Forceps que tem um estilo musical mais compatível ao do Cannibal).
    O (absurdo) caos causado pelas bombas só adicionou mais "extremismo" à essa noite inesquecível.
    E o Cannibal Corpse fez uma apresentação de alto nível, brutalidade e carisma (em grande parte ao fantástico vocalista Corpsegrinder que domina o palco).
    Foi um prazer ver parte desseevento ao seu lado e ver a sua vibração frente a tantos clássicos, brother metálico he he
    Abração e sucesso pra Hell Divine! Stressor (death After Death/d.a.d.)

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  2. Excelente resenha! O Show foi animal!!
    Vale destacar que, o discurso oficial foi de que deu 300 mil pessoas, mas pelas imagens de helicóptero (as da CET-rio a prefeitura desligou, óbvio), com todas as faixas da Pres. Vargas tomadas, tinha 1 milhão tranquilo (se o Bola Preta bota 1 milhão na Rio Branco), como a P. Vargas com todas as pistas lotadas deu só 300 mil? Segundo que o BOPE e o CHOQUE perseguiu literalmente todo mundo, desde a prefeitura até o Largo do Machado (passando pela Cinelândia, Praça XV e Lapa)!!! Inclusive jogando bombas e atirando p/ dentro de bares da Lapa. Sei disso pq eu estava lá fora, não conseguia nem chegar perto do Circo e vi tudo.
    Abraços e long live to extreme metal!!

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